Existe um tipo particular de pressão que vem com ser a equipe que todos esperam que vença, e a Colômbia carrega exatamente esse peso para o seu confronto com a RD Congo, que tem início às 7h30 (IST) de 24 de junho. É um jogo do Grupo K entre dois lados que nunca se cruzaram em uma Copa do Mundo antes, e justamente por isso o enredo é incomumente limpo: nenhuma cicatriz de encontros passados, nenhuma bagagem psicológica, apenas duas seleções se medindo pela primeira vez no maior palco do esporte. A Colômbia aparece no topo do grupo pela classificação dos cabeças de chave, com a RD Congo logo abaixo e a dupla genuinamente perigosa formada por Portugal e Uzbequistão completando o quarteto. Com um grupo que tem esse tipo de teto lá em cima, os jogos iniciais entre os representantes africano e sul-americano ganham uma importância desproporcional. Nem a Colômbia nem a RD Congo podem se dar ao luxo de tratar isso como um simples reconhecimento, porque pontos perdidos aqui são pontos que terão de ser arrancados a unhas contra adversários que, no papel, são mais difíceis de furar.
Para a Colômbia, o atrativo desta seleção sempre repousou nos homens que puxam os fios mais do que puramente nos nomes do ataque. James Rodríguez segue sendo o coração desta equipe, um meio-campista com 126 jogos e 31 gols pela seleção cuja capacidade de desacelerar uma partida e depois acelerá-la com um único passe é exatamente o tipo de qualidade que decide jogos apertados de grupo. Atuando agora no Minnesota United, James já não é o jovem talento de olhos arregalados que iluminou uma Copa do Mundo anterior, mas a arte não foi a lugar nenhum, e contra um adversário que provavelmente vai buscar se fechar compacto e absorver a pressão, o seu faro para a bola que rasga a defesa pode ser o ativo mais valioso em campo. Atrás dele há uma experiência tranquilizadora. David Ospina, com 130 jogos pela seleção no currículo, é um goleiro que já viu todo tipo de noite de torneio, e a calma que ele traz lá de trás no Atlético Nacional faz diferença quando se pede a um favorito que corra atrás de um resultado. À frente de Ospina, Davinson Sánchez, do Galatasaray, dá à Colômbia um zagueiro genuinamente de altíssimo nível, alguém cujos 79 jogos pela seleção falam de um jogador em quem se confia há muito tempo nos momentos decisivos. É uma espinha dorsal construída sobre o equilíbrio, e essa combinação de controle no meio-campo e firmeza na defesa é o que faz da Colômbia o time pelo qual o grupo vai se medir.
A RD Congo, porém, está enfaticamente longe de vir aqui só para fazer número, e qualquer um que leia a sua classificação abaixo da Colômbia como sinal de uma tarde confortável para os sul-americanos está perdendo o ponto. Esta é uma equipe com credenciais físicas e técnicas sérias, comandada lá de trás por Chancel Mbemba, o zagueiro do Lille cujos 109 jogos e sete gols pela seleção o tornam um dos zagueiros centrais mais experientes e completos de todo este grupo. Mbemba é o tipo de jogador capaz tanto de abafar os passes em profundidade de James quanto de sair jogando para iniciar os ataques ele mesmo, e o seu duelo com os atacantes da Colômbia pode muito bem ditar como o confronto vai fluir. A ameaça do outro lado também é real. Cédric Bakambu, agora no Real Betis, chega com 21 gols em 70 jogos pela seleção, um centroavante que marcou em todos os níveis em que jogou e que precisa apenas de meia chance para punir uma defesa que se desliga. Ao lado dele, Meschak Elia, do Alanyaspor, oferece velocidade e 12 gols em seus 69 jogos pela seleção, o tipo de corredor que consegue esticar uma linha defensiva e transformar uma única transição em gol. O perfil da RD Congo, então, é o clássico adversário incômodo: organizado, difícil de furar, e com o tipo de atacantes que deixa qualquer favorito nervoso se o jogo continuar empatado já avançado o segundo tempo.
É exatamente essa tensão que torna tudo isso tão fascinante de assistir. A Colômbia tem o piso mais alto e os nomes mais condecorados, mas a estrutura da partida quase certamente favorece a paciência em detrimento dos fogos de artifício. Espere uma RD Congo disciplinada sem a bola, confiando em Mbemba para organizar a linha, e apostando em Bakambu e Elia para fazer algo a partir das sobras que caírem no caminho deles. A Colômbia, por sua vez, vai precisar que James encontre os espaços que sempre acabam se abrindo contra blocos baixos, e vai precisar que seus atacantes aproveitem as chances que a qualidade do abastecimento tende a criar. O roteiro mais provável é uma Colômbia que sonda, fica frustrada por um período, e então encontra a abertura assim que as pernas começam a cansar diante dela.
É essa leitura do jogo que molda a nossa visão. O modelo aponta para a vitória da Colômbia por pelo menos um gol de diferença, a linha COL −1, com uma confiança de 71 por cento, e a lógica é simples o bastante: o ataque da Colômbia está em boa fase e deve encontrar um caminho mais cedo ou mais tarde, mesmo que a RD Congo faça com que tenham de trabalhar duro por isso. O risco nesse palpite é óbvio, já que pedir a um favorito que vença uma primeira partida apertada por uma margem clara contra um adversário bem treinado e perigoso raramente é uma aposta confortável, e uma única finalização de Bakambu no contra-ataque poderia virar de cabeça para baixo toda a fisionomia da tarde. Mas o equilíbrio de qualidade, experiência e controle criativo está com a Colômbia, e ao longo de noventa minutos essa vantagem costuma pesar. Aposte nos sul-americanos para abrir vantagem, e acomode-se cedo às 7h30 (IST) para um confronto que promete bem mais do que a classificação dos cabeças de chave sugere.
Colômbia e RD Congo não se enfrentaram antes neste torneio — pelos nossos registros, este é o primeiro confronto delas na Copa do Mundo de 2026.