Para o Paraguai, a conta no Grupo D já não perdoa. Depois de uma rodada, derrotado por 4 a 1 fora de casa para os Estados Unidos e na lanterna sem pontuar, a seleção chega a este início às 7:30 AM IST no dia 26 de junho sabendo que uma segunda derrota praticamente encerraria sua Copa do Mundo antes mesmo de a fase de grupos chegar ao fim. A Austrália, por outro lado, entra em campo com três pontos no bolso, um jogo sem sofrer gol contra a Turquia nas costas e o ar tranquilo de uma equipe que fez exatamente o que precisava fazer. É o tipo de confronto capaz de definir uma campanha em noventa minutos, e o abismo entre as duas situações de largada torna este um dos jogos mais interessantes da rodada para o público indiano que vai colocar o despertador para acordar cedo.
Os números contam uma história dura sobre como a rodada de abertura se desenrolou para cada seleção. O Paraguai levou quatro gols em uma única tarde e conseguiu apenas um em resposta, um saldo negativo de três que já o deixa na base da chave. Sofrer à média de quatro gols por jogo não é alicerce sobre o qual se constrói uma caminhada rumo ao mata-mata, e o setor defensivo sabe disso. Há, no entanto, verdadeira tradição nessa defesa, e seria errado descartar o Paraguai como presa fácil com base em uma só noite ruim. Gustavo Gómez, o zagueiro do Palmeiras com 89 partidas e quatro gols pela seleção, é exatamente o tipo de presença experiente e física feita para o futebol de torneio, e ao seu lado Júnior Alonso, do Atlético Mineiro, agrega outras 71 partidas de raça sul-americana. Se o Paraguai quiser seguir vivo neste grupo, a reorganização começa com essa dupla reestabelecendo a disciplina que simplesmente não existiu diante dos norte-americanos.
No sentido oposto, a esperança do Paraguai repousa em grande parte sobre Miguel Almirón. O jogador do Atlanta United é o nome mais decisivo do elenco principal, com dez gols em 76 jogos, e sua capacidade de conduzir a bola e esticar as defesas é justamente o que uma equipe que persegue um resultado precisa quando tem de ir para cima. Foi Maurício quem fez o gol do Paraguai na estreia, um lembrete de que esse ataque consegue balançar as redes mesmo em um dia ruim, e nossa leitura do confronto se apoia nessa ideia: uma frente de ataque que parece perigosa em lampejos deve, com bola suficiente, acabar encontrando um caminho. O problema é que eles não podem se dar ao luxo de ficar tão expostos como da última vez, porque a Austrália mostrou que pune os espaços.
Os Socceroos parecem o pacote mais completo neste momento, e a maneira da vitória por 2 a 0 sobre a Turquia vai lhes dar confiança de verdade. Sair com um jogo sem sofrer gol neste nível não é pouca coisa, e com Mathew Ryan, goleiro de 104 jogos hoje no Levante, comandando as ações por trás de uma linha defensiva que conta com o experiente Aziz Behich, a Austrália tem a coluna vertebral para vencer partidas apertadas no detalhe. O que chamou atenção na estreia, porém, foi a divisão dos gols. Irankunda e Metcalfe balançaram as redes, o que fala de um ataque que não depende de um único nome, e no meio-campo Jackson Irvine, do St. Pauli, oferece ameaça real de gol vindo de regiões mais recuadas, seus 14 gols pela seleção sendo um retorno incomumente saudável para um jogador que atua nessa zona. Uma equipe que marca de fontes variadas e mantém a porta dos fundos fechada é adversário difícil para qualquer um, ainda mais para uma seleção tão ferida quanto está o Paraguai neste momento.
O contexto do grupo aguça tudo. Os Estados Unidos estão no topo após sua vitória contundente, a Austrália vem logo atrás no saldo de gols, e Turquia e Paraguai estão ambos sem pontos na parte de baixo. Três pontos aqui colocariam a Austrália em posição confortável para chegar ao mata-mata e jogariam toda a pressão sobre as equipes abaixo. Para o Paraguai, qualquer coisa que não seja a vitória o deixa dependendo de favores de fora e de uma virada dramática em seu próprio desempenho nas duas rodadas finais. Essa assimetria de o que está em jogo costuma produzir um futebol aberto e esticado, porque o time obrigado a vencer não pode se fechar e proteger um ponto, e o único caminho realista de volta do Paraguai a este grupo é lançar gente ao ataque.
Esta é a primeira vez que essas duas seleções se enfrentam em uma Copa do Mundo, então não há histórico de torneio em comum no qual se apoiar, nenhum padrão familiar ao qual recorrer. Essa folha em branco, somada à necessidade do Paraguai de atacar e à comprovada capacidade da Austrália de marcar, é onde nossa previsão ganha forma. O modelo aponta para Mais de 2,5 gols com 57 por cento de confiança, e a lógica é bastante direta: a frente de ataque do Paraguai está em boa fase e deve acabar encontrando um caminho, enquanto a Austrália carrega poder de fogo suficiente para acrescentar ao que o Paraguai conseguir. Um Paraguai desesperado e ofensivo contra uma Austrália confiante e eficiente é o tipo de receita que tende a produzir gols dos dois lados em vez de um empate cauteloso. Se você vai sintonizar antes do nascer do sol na Índia, o palpite inteligente é o over, e a questão mais profunda de saber se o Paraguai consegue manter sua campanha respirando enquanto a Austrália segue marchando rumo à classificação.
Paraguai e Austrália não se enfrentaram antes neste torneio — pelos nossos registros, este é o primeiro confronto delas na Copa do Mundo de 2026.