Existe um tipo bem específico de pressão que recai sobre uma equipe depois de um atropelo por 5 a 1, e é com ela nas costas que a Tunísia entra em campo pelo confronto do Grupo F contra o Japão, com início marcado para as 9h30 (IST) do dia 21 de junho. As Águias de Cartago chegam na lanterna do grupo, derrotadas com folga fora de casa diante da Suécia na estreia, com um saldo de gols já negativo em quatro depois de uma única partida. O Japão, por outro lado, saiu do primeiro compromisso com um ponto e muito crédito na conta, ao segurar um empate por 2 a 2 com a Holanda num jogo que os colocou como sérios candidatos a avançar. Esta é a primeira vez que as duas seleções se enfrentam em uma Copa do Mundo, e o duelo cai justamente no momento em que um lado precisa desesperadamente de uma resposta e o outro fareja a chance de assumir o controle da sua classificação.
As contas da tabela elevam bastante o nível das apostas. A Suécia lidera com três pontos e saldo de quatro, enquanto Japão e Holanda andam lado a lado com um ponto cada após seus respectivos empates, separados por enquanto apenas pela ordem alfabética. A Tunísia, zerada, já sabe que uma segunda derrota a deixaria de cara com a eliminação antes mesmo de a última partida do grupo ser disputada. Para o Japão, o cenário é mais animador, mas, à sua maneira, não menos urgente: uma vitória aqui o levaria a quatro pontos e, dependendo de como Suécia e Holanda se saírem, possivelmente ao topo da chave. Um empate o mantém na briga, mas convida àquele tipo de aritmética nervosa que ninguém quer carregar para a rodada final. Há tudo em jogo, e a equipe que lidar melhor com esse peso provavelmente sairá vencedora.
O que torna o Japão tão atraente de se assistir, e um adversário tão difícil, é a qualidade e o poder de fogo no ataque e no meio-campo. Junya Itō, ponta do Genk, traz 69 jogos pela seleção e impressionantes 15 gols internacionais, um aproveitamento que o credencia como um genuíno decisor de partidas vindo pelos lados. Ao seu lado, Ritsu Dōan, do Eintracht Frankfurt, soma 11 gols em suas 65 partidas, mais um jogador à vontade para entrar pelo meio e ferir as defesas. Some a isso a experiência de Yūto Nagatomo, que com 145 jogos já viu tudo o que o futebol internacional pode oferecer, e você tem uma equipe que combina rodagem com poder de decisão. Na estreia, os gols ficaram bem distribuídos, com Nakamura e Kamada balançando as redes diante dos holandeses, prova de que a ameaça não depende de um homem só. Com média de dois gols marcados por jogo até aqui, ainda que seja apenas uma partida, o Japão mostrou que pode incomodar adversários de alto nível, e diante de uma defesa tunisiana que acabou de levar cinco, esse setor ofensivo vai gostar das chances que terá.
A missão da Tunísia, portanto, é antes de tudo de organização e resiliência, e o elenco para entregar isso está lá, mesmo que o resultado de estreia tenha sugerido o contrário. Ellyes Skhiri, o meio-campista do Eintracht Frankfurt com 83 jogos no currículo, é o tipo de presença disciplinada e marcadora em que uma equipe se apoia quando precisa diminuir o ritmo do jogo e fechar os espaços. Na defesa, Montassar Talbi, do Lorient, e Dylan Bronn, do Servette, carregam 64 e 52 jogos, respectivamente, dois zagueiros com o costume de também aparecer no campo de ataque. O único ponto positivo da derrota para a Suécia foi o gol de Rekik, um lembrete de que a Tunísia não está sem um caminho para frente, mas a realidade de levar cinco gols é que a linha defensiva e o escudo de meio-campo à sua frente vão precisar de uma melhora completa na concentração. Cinco gols sofridos em uma única partida não é um número de que dá para se esconder, e o Japão é exatamente o tipo de adversário que vai punir qualquer repetição dessa generosidade.
O formato do confronto parece razoavelmente claro. A Tunísia, sabendo que uma derrota poderia encerrar sua participação no torneio, pode recuar mais e tentar irritar, confiando em Skhiri para cortar as jogadas e esperando sair em velocidade por meio dos jogadores experientes do elenco. O Japão provavelmente terá bastante posse de bola e vai confiar na própria capacidade de achar os espaços que Itō e Dōan foram talhados para explorar. A questão é se a Tunísia consegue se manter compacta por tempo suficiente para deixar o jogo incômodo, ou se a concessão de um gol cedo a obriga a correr atrás e a se expor ainda mais. Pela facilidade com que sangrou gols contra a Suécia, a margem de erro é estreita.
Pesando tudo, nosso modelo se inclina com firmeza para o Japão, indicando-o como vencedor com 66 por cento de confiança. A lógica é difícil de contestar: um ataque nesse tipo de fase, carregando tanto poder de fogo, deve eventualmente encontrar uma brecha numa defesa que já se mostrou vulnerável, e o Japão tem tanto a paciência quanto a qualidade para seguir martelando até o gol sair. A Tunísia tem jogadores para complicar a vida do rival, e um início arrebatador ou um momento de inspiração à la Rekik poderia mudar o clima, mas o peso das evidências da rodada de estreia aponta para um lado só. Espere o Japão controlar o ritmo, espere seus homens de beirada fazerem a diferença e espere que ele dê um passo importante rumo à fase eliminatória quando o apito soar numa manhã de 9h30 (IST) que a Tunísia simplesmente não pode se dar ao luxo de perder.
Tunísia e Japão não se enfrentaram antes neste torneio — pelos nossos registros, este é o primeiro confronto delas na Copa do Mundo de 2026.