O Grupo L tem seu primeiro grande teste de credenciais quando Croácia e Gana estreiam na Copa do Mundo de 2026 num início marcado para as 2h30 (horário da Índia), que os telespectadores indianos vão precisar despertar para acompanhar. É a primeira vez que essas duas seleções se enfrentam no torneio, o que tira o conforto do retrospecto e deixa os dois lados se estudando em tempo real. Com Inglaterra e Panamá completando o quarteto, todo time deste grupo sabe que a ordem da dificuldade pesa tanto quanto os próprios pontos, e um confronto entre os cabeças de chave croatas e uma Gana com talento ofensivo de verdade é exatamente o tipo de jogo capaz de definir quem termina onde. A Croácia chega como principal cabeça de chave do grupo e como a seleção que a maioria espera ver avançar com tranquilidade, mas a verdade na primeira rodada é que ninguém garantiu nada ainda, e um começo lento aqui pode complicar um caminho que todos imaginam ser simples.
A história croata, como tem sido na maior parte da última década, ainda passa por Luka Modrić. Com 198 jogos e 29 gols pela seleção, ele segue sendo o metrônomo em torno do qual este time é construído, e mesmo agora não há substituto óbvio para o ritmo e o controle de jogo que ele oferece no meio-campo. O perigo para qualquer adversário da Croácia é deixar Modrić com tempo na bola, porque quanto mais ele ditar o ritmo, mais a partida pende para o jogo paciente e de muita posse que seu país prefere. Ao seu redor há poder de fogo de verdade nas pontas e no setor ofensivo. Ivan Perišić, com 154 jogos e 38 gols, é o goleador mais prolífico deste grupo da Croácia em números puros, uma presença incansável que passou a carreira chegando à área no momento certo, e Andrej Kramarić acrescenta outros 36 gols pela seleção, vindos de um atacante que sabe encontrar espaço entre os zagueiros. Essa espinha dorsal de experiência é a base do status de favorita da Croácia, e é por isso que o modelo se inclina com tanta firmeza para o lado dela. O que ele não pode garantir, claro, é que os gols saiam cedo ou que a defesa segure firme, e é nessa incerteza que esta prévia fica interessante.
Gana não vai se intimidar com reputação, e tem os jogadores para incomodar a Croácia. Jordan Ayew comanda o ataque com 120 jogos e 34 gols pela seleção, um atacante cujo número diz que ele faz isso no mais alto nível há anos, e não que apareceu para brilhar em um único torneio. É o tipo de centroavante que prospera justamente nas meias-chances que uma defesa esticada e ainda se ajustando costuma conceder num jogo de estreia. Atrás dele, Thomas Partey dá a Gana uma disputa de verdade exatamente no setor onde a Croácia quer dominar. Os 57 jogos e 15 gols de Partey não fazem jus à sua importância; a tarefa dele aqui será atrapalhar a linha de abastecimento de Modrić e quebrar o ritmo da Croácia antes que ele se forme, e se ele vencer esse duelo individual toda a fisionomia da partida muda. Abdul Rahman Baba traz 51 jogos de experiência defensiva pela lateral, e a esperança de Gana é que a combinação da pegada de Partey no meio com a movimentação de Ayew lá na frente seja suficiente para transformar isso no jogo aberto, de ida e volta, que serve muito mais a um azarão do que a um favorito cabeça de chave tentando controlar as ações.
Como esta é a rodada de abertura da fase de grupos, a tabela está toda zerada e nada foi decidido, o que significa que o peso psicológico recai de maneira diferente sobre cada lado. Espera-se que a Croácia vença e ela vai sentir a pressão dessa expectativa; um empate já seria um pequeno arranhão no domínio da liderança, e uma derrota seria um problema de verdade num grupo que também tem a Inglaterra. Gana, por outro lado, só tem a ganhar. Sentada em terceiro na ordem de força, atrás de Croácia e Inglaterra, sabe que pontos tirados de um cabeça de chave no primeiro jogo podem reformular toda a sua campanha e aliviar o peso de precisar de um resultado contra a Inglaterra mais adiante. Essa dinâmica — um favorito que precisa render contra um adversário que joga sem pressão — costuma produzir justamente aquele padrão de jogo travado no começo e aberto depois, que torna as partidas de estreia tão imprevisíveis, e é a razão pela qual a margem aqui não é tão confortável quanto a ordem de força poderia sugerir.
Pesando tudo, o argumento a favor da Croácia se apoia na qualidade e no controle, enquanto o argumento a favor de Gana se apoia no caos que um atacante como Ayew e um meio-campista como Partey podem gerar contra uma defesa que ainda não jogou um minuto competitivo junta neste torneio. Nosso modelo aponta para a Croácia vencer por pelo menos um gol de diferença, a linha CRO −1, com 71 por cento de confiança, e o raciocínio é honesto quanto ao risco: gols parecem prováveis dos dois lados, porque nenhuma das defesas convenceu por completo ainda. É um palpite sustentado com firmeza pela espinha dorsal superior da Croácia e pela experiência que corre por Modrić, Perišić e Kramarić, mas vem com a ressalva de que isso pode ser um jogo mais aberto e de mais gols do que um handicap unilateral sugere. Espere a Croácia levar a melhor por pouco, espere Gana ter seus momentos com Ayew e, se você vai encarar o início às 2h30 (horário da Índia), não se surpreenda se as duas equipes balançarem as redes antes de a classe da favorita falar mais alto no fim.
Croácia e Gana não se enfrentaram antes neste torneio — pelos nossos registros, este é o primeiro confronto delas na Copa do Mundo de 2026.