Doblete tardio de Manzambi transforma noite travada em goleada suíça por 4 a 1 sobre a Bósnia
Durante setenta e três minutos, aquilo parecia ser exatamente a noite engessada e desconfortável que todo mundo esperava. Então, no espaço de um quarto de hora, virou goleada. A vitória da Suíça por 4 a 1 sobre a Bósnia-Herzegovina foi um estudo sobre duas verdades contraditórias que coexistiram na mesma noite: a de que um adversário aguerrido realmente consegue manter um time melhor à distância por longos períodos, e a de que, quando a barragem cede, a enchente pode ser repentina e impiedosa. O placar tem cara de tarde tranquila. O relógio diz que foi tudo menos isso, até o exato momento em que um jovem de 20 anos do Freiburg decidiu que já havia esperado o suficiente.
O desenho do confronto foi exatamente o que a campanha recente anunciava. A Suíça chegava ao jogo após um empate por 1 a 1 fora de casa contra o Catar, resultado que sugeria um time capaz de dominar a bola, mas carente do toque final e decisivo diante de adversários satisfeitos em defender a própria área em peso. A Bósnia-Herzegovina, por sua vez, havia aberto o torneio com um meritório empate por 1 a 1 fora de casa contra o Canadá — justamente o time que agora lidera o grupo — e chegava com todos os motivos para acreditar que sua estrutura defensiva poderia frustrar um segundo adversário seguido. Por três quartos da partida, essa crença se sustentou. Foram os últimos vinte minutos que a sepultaram.
O impasse e o homem que o quebrou
O gol que abriu o placar, quando enfim saiu aos 74 minutos, foi de Manzambi, e havia uma certa beleza em ter sido ele. Aos 20 anos, com apenas uma dúzia de partidas pela seleção e somente três gols internacionais em toda a carreira antes deste torneio, o meio-campista do Freiburg é exatamente o tipo de jovem cuja Copa do Mundo pode girar em torno de uma única finalização sem amarras. Ele havia chegado a esta competição já tendo balançado as redes uma vez, e seu gol aqui dobrou na hora seu total na Copa do Mundo — dois gols em um torneio mundial para um jogador que só havia feito três em todos os jogos internacionais anteriores. É o tipo de salto estatístico que apresenta um nome ao mundo, e Manzambi estava só começando.
O primeiro gol fez com a Bósnia-Herzegovina o que o gol inaugural tantas vezes faz com um time que defende em bloco baixo: forçou-os a sair da concha no exato momento em que as pernas começavam a pesar, e a Suíça castigou os espaços que se abriram. A paciência que parecia empate de repente revelou-se preparação. Os suíços haviam passado mais de uma hora sondando sem recompensa e, em vez de se descontrolar, mantiveram a disciplina e deixaram a pressão falar. Quando o bloco enfim cedeu, não cedeu em silêncio.
Dezesseis minutos que decidiram tudo
Aos 84 minutos a vantagem dobrou, e o autor do gol tinha um perfil bem diferente do homem que abrira o placar. Vargas tem 27 anos, um atacante com 61 jogos e 11 gols internacionais ao longo de uma longa passagem pela seleção — uma figura consolidada, não uma sensação estreante. Sua finalização foi a primeira nesta Copa do Mundo, e chegou no momento em que uma vantagem de um gol ainda pode ser desfeita por uma única bola parada ou um lance de desatenção. Com dois de frente, o confronto pendeu de forma decisiva, e a experiência naquele gol importou tanto quanto a ousadia juvenil do primeiro. A Suíça agora tinha suas duas gerações contribuindo na mesma súmula.
O que veio nos acréscimos transformou uma vitória em declaração de intenções. Manzambi voltou a marcar aos 90 minutos, o segundo dele na noite e seu segundo gol de Copa do Mundo dentro da mesma partida, completando uma atuação pessoal que poucos jogadores de 20 anos vão superar neste torneio. Um jovem meio-campista que começou o dia com três gols internacionais na carreira o encerrou com cinco — e dois deles vieram em uma única, tardia e decisiva arrancada. Para um jogador dessa idade agarrar pelo cangote um jogo apertado de Copa do Mundo e arrancar dele dois gols, esse é o tipo de explosão que acompanha uma carreira inteira.
E ainda houve tempo para o floreio do veterano. Xhaka, 33 anos e agora com 146 jogos, cobrou um pênalti na mesma janela dos 90 minutos para fazer o quarto. Os 17 gols internacionais de Xhaka ao longo de todas essas partidas mostram o quão raramente um meio-campista de sua experiência e função aparece na súmula, e este foi apenas o primeiro dele no torneio — uma finalização comedida, de veterano, da marca da cal, para colocar um ponto final enfático na noite. Havia algo apropriado na distribuição daquilo tudo: o garoto, o atacante consolidado, o garoto de novo, o veterano da marca da cal. Quatro capítulos diferentes do mesmo elenco, todos escritos nos últimos dezessete minutos.
A resposta solitária da Bósnia
A Bósnia-Herzegovina conseguiu evitar o zero, e seu gol carregou sua própria pequena história. Mahmić, 21 anos e com apenas dois jogos pela seleção, marcou aos 90 minutos naquele que foi o primeiro gol internacional de sua carreira — um marco de estreante chegando numa noite em que quase nada mais deu certo para o seu time. Ele joga clube no Slovan Liberec, e um gol inaugural pelo seu país em uma Copa do Mundo é o tipo de memória que placar nenhum tira de você, nem mesmo um 1 a 4. Para o jogador, foi um momento para guardar. Para o time, foi uma nota de rodapé em uma noite de lição amarga.
É essa a crueldade da aritmética. A Bósnia-Herzegovina havia defendido com organização de verdade pela maior parte da partida, e se tivesse segurado por mais quinze minutos a conversa em torno deste grupo seria bem diferente. Em vez disso, um único gol sofrido abriu as comportas, e um time que começou o torneio de cabeça erguida após um empate com o Canadá saiu de campo tendo levado quatro. A promissora noite de estreia agora convive de forma incômoda com um resultado que causou dano real ao seu saldo de gols e ao seu embalo.
O que isso significa para o Grupo B
A vitória leva a Suíça a quatro pontos em duas partidas — uma vitória, um empate, nenhuma derrota — e a coloca empatada na liderança do Grupo B com o Canadá. A única coisa que separa os dois é o saldo de gols: o Canadá é o primeiro, com mais seis, e os suíços vêm em segundo, com mais três, diferença que é consequência direta de quão tarde e de quão pesado os gols da Suíça chegaram aqui. Cinco marcados e dois sofridos é o que a linha suíça mostra agora, e o grosso dessa colheita foi depositado no último quarto desta única partida.
A Bósnia-Herzegovina permanece em terceiro com um único ponto, seu empate com o Canadá ainda o seu único retorno após esta derrota. Ficam à frente do Catar puramente pelo saldo de gols — a Bósnia com menos três, o Catar com menos seis — com as duas seleções ainda vivas, mas agora firmemente dependentes de a rodada final cair a seu favor. Aqui está o quadro completo do Grupo B após duas rodadas:
- 1. Canadá — Jogos 2, Vitórias 1, Empates 1, Derrotas 0, GP 7, GC 1, SG +6, 4 pontos
- 2. Suíça — Jogos 2, Vitórias 1, Empates 1, Derrotas 0, GP 5, GC 2, SG +3, 4 pontos
- 3. Bósnia-Herzegovina — Jogos 2, Vitórias 0, Empates 1, Derrotas 1, GP 2, GC 5, SG −3, 1 ponto
- 4. Catar — Jogos 2, Vitórias 0, Empates 1, Derrotas 1, GP 1, GC 7, SG −6, 1 ponto
O grupo se dividiu de forma nítida em dois patamares: duas seleções invictas grudadas nos quatro pontos no topo, dois times em apuros empatados com um na parte de baixo, e um abismo de três pontos no meio. Tudo agora converge para 25 de junho, quando os dois jogos restantes acontecem na mesma data e o cenário da classificação se resolve numa única noite. A Suíça recebe o Canadá em uma decisão de liderança de verdade — duas equipes invictas, empatadas em pontos, separadas apenas pelo saldo de gols, se encontrando para definir primeiro e segundo lugar. Com a vitória, os suíços lideram o grupo de forma isolada; mesmo um empate os mantém no comando do próprio destino, e a forma desta vitória vai fazer muito pela confiança que eles levarão para lá. A Bósnia-Herzegovina, enquanto isso, encara o Catar em uma partida que virou quase obrigatória, sabendo que uma vitória — e provavelmente uma vitória folgada para recuperar aquele saldo de gols — é o mínimo necessário para manter qualquer esperança viva, com os resultados dos outros jogos fora de seu controle.
Como se saiu nosso palpite pré-jogo
Apostamos na vitória da Suíça com 66 por cento de confiança, e a manchete é simples o bastante: o palpite acertou. Mas a maneira como acertou merece atenção, porque o raciocínio se confirmou de forma ainda mais precisa do que o resultado por si só sugere. Nossa leitura pré-jogo era de que a Bósnia-Herzegovina se postaria recuada, e que a tarefa da Suíça seria de paciência e amplitude — de trabalhar a bola pelos corredores e esticar um bloco compacto até ele finalmente ceder. Foi, quase ao pé da letra, como a noite se desenrolou. O bloco aguentou por 73 minutos. A Suíça não entrou em pânico, não abandonou o plano e foi recompensada no instante em que as pernas e a concentração bósnias começaram a se desgastar. Paciência, exatamente como anunciado, foi a diferença.
Se há uma ressalva honesta, é que a margem final superou a cautelosa cifra dos 66 por cento. Uma confiança de dois terços refletia respeito real pela retaguarda bósnia, e por três quartos da partida esse respeito pareceu inteiramente justificado. O que a avaliação não conseguiu antecipar foi a velocidade do desmoronamento depois que o primeiro gol entrou — quatro gols nos dezessete minutos finais não é o retorno de um time arrancando uma vitória apertada, e sim o de um que achou a porta entreaberta e a arrancou das dobradiças. Então acertamos o caminho e acertamos o resultado, e talvez tenhamos sido um pouco conservadores na escala disso. Aceitamos a crítica de bom grado, com o lembrete útil de que esta Suíça, quando paciente, carrega na reta final uma frieza que o placar só insinuava até os 74 minutos.
Essa lição se transfere bem para a decisão contra o Canadá. A lógica de paciência e amplitude continua sendo o conjunto de ferramentas certo, mas o Canadá — líder do grupo, sete gols já marcados — não vai ceder tão prontamente quanto a Bósnia-Herzegovina cedeu, e carrega uma ameaça muito maior do outro lado. Um time que consegue manter os nervos firmes ao longo de um longo impasse e então enterrar quatro em um quarto de hora é, ainda assim, uma proposta perigosa. Por essa evidência, a Suíça é exatamente isso, e 25 de junho acabou de se tornar um dos confrontos mais atraentes que a fase de grupos já produziu.