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Dobradinha de Cunha e gol de Vinícius levam o Brasil à liderança do Grupo C sobre o Haiti

Dobradinha de Cunha e gol de Vinícius levam o Brasil à liderança do Grupo C sobre o Haiti
Photo: Wikimedia Commons

O Brasil fez exatamente o que se espera de um favorito — e fez tudo antes do apito do intervalo. Três gols, nenhuma resposta e uma tarde de trabalho bem resolvida que levou a seleção ao topo do Grupo C. Matheus Cunha marcou duas vezes nos primeiros 36 minutos e Vinícius fechou a conta na reta final da etapa inicial, deixando o Haiti com a segunda derrota seguida, resultado que praticamente sepulta suas chances nesta Copa do Mundo. O 3 a 0 não engana ninguém nem surpreende ninguém: apenas confirma o que as linhas de desempenho já vinham sugerindo.

A abertura do placar veio aos 23 minutos e trouxe um toque de inesperado. Cunha não é o nome que a maioria anota primeiro ao listar os prováveis decisivos do Brasil. O atacante do Manchester United tinha apenas um gol pela seleção em seus 23 jogos antes desta competição, um retorno modesto o suficiente para que sua convocação fosse questionada mais de uma vez. E, no entanto, ali estava ele, encontrando o espaço e finalizando com a frieza de quem esperava havia muito tempo por exatamente este palco. Para um jogador cuja trajetória pela seleção até pouco tempo se media em participações curtas e quase-gols, foi um momento de verdadeira reabilitação.

Ele não parou por aí. Treze minutos depois, aos 36, Cunha ampliou tanto a própria conta quanto a vantagem brasileira. A dobradinha levou seu número de gols nesta Copa a dois — o mesmo total que ele havia somado em toda a carreira internacional até então, agora alcançado em um único Mundial. Essa estatística, mais do que o placar, resume a tarde dele. Um atacante que passara anos à margem dos planos da seleção surgiu, de repente, como o finalizador mais natural em campo, e o ataque do Brasil — tantas vezes uma questão de quem aparece ao lado de Vinícius — encontrou uma nova resposta.

Vinícius faz o terceiro antes do intervalo

Se Cunha trouxe a surpresa, Vinícius trouxe a inevitabilidade. O atacante do Real Madrid, com folga o mais experiente do setor ofensivo com 49 jogos e nove gols pela seleção, escolheu o momento que mais machuca o adversário para deixar a sua marca — os 45 minutos, o último lance antes de os jogadores irem para a conversa nos vestiários. Seu gol fez o 3 a 0 e encerrou, na prática, o duelo enquanto disputa esportiva. Para Vinícius, foi o segundo gol desta Copa, número que eleva um pouco o seu lugar entre os artilheiros do Brasil e reforça por que o ritmo da equipe tantas vezes passa por ele.

Havia uma harmonia na forma como os gols se distribuíram naquele primeiro tempo — 23, 36, 45 — um acúmulo gradual em vez de uma explosão única, o som de um time se afastando aos poucos do outro. O Haiti, é preciso reconhecer, não desmoronou em uma derrota mais pesada após o intervalo; o placar permaneceu em três. Mas uma segunda etapa sem gols não mudou nada do veredito. O estrago fora feito naqueles 45 minutos iniciais, e o Brasil se contentou em administrar o que havia construído.

Vale a pena demorar um instante na forma daquele primeiro tempo, porque ela revela algo sobre como esta seleção brasileira quer jogar. O primeiro gol veio cedo o bastante — ainda na primeira meia hora — para acalmar qualquer nervosismo antes que ele criasse raiz, e, uma vez à frente, um time tão fluente quanto este tende a puxar o jogo para o seu lado. O segundo, aos 36, eliminou o último caminho realista de volta para o Haiti. E o terceiro, chegando nos acréscimos da etapa inicial, aos 45 minutos, foi o tipo de golpe que esvazia a resistência de um adversário a caminho do vestiário. Quando as equipes reapareceram, o confronto já era praticamente protocolar, e é justamente por isso que o segundo tempo não produziu mais gols: havia pouco a perseguir e pouca necessidade de arriscar.

O que isso significa para o grupo

A vitória empurra o Brasil para o topo do Grupo C, e a tabela agora apresenta o tipo de equilíbrio que torna a última rodada genuinamente importante. O Brasil está em primeiro com quatro pontos, depois de empatar a estreia em 1 a 1 com Marrocos antes deste tranquilo descarte do Haiti. Seu saldo de gols de mais três é o separador decisivo: Marrocos iguala os quatro pontos, mas fica atrás com saldo de mais um, fruto de um grupo até aqui mais cauteloso. A Escócia, com três pontos de sua única vitória, está em terceiro e segue muito viva. As margens no topo são estreitas o bastante para que os jogos finais decidam tudo.

Para o Brasil, a conta é simples e convidativa. Dois jogos disputados, quatro pontos no bolso e uma defesa ajustada que sofreu apenas um gol em todo o grupo — o único na ocasião do empate com Marrocos. A seleção enfrenta a Escócia em seguida, fora de casa, em partida marcada para a madrugada de 25 de junho pelo horário indiano (3h30 IST). Vencendo ou empatando, estará quase certamente classificada como líder do grupo; até uma derrota não seria necessariamente fatal, dado o colchão que o saldo de gols oferece. É a posição que toda equipe deseja ter ao entrar no último jogo da fase — no controle do próprio destino, com margem de sobra.

Esse saldo de gols merece um olhar mais atento, porque, em um grupo tão congestionado, ele pode acabar sendo a diferença entre terminar em primeiro ou em segundo. Brasil e Marrocos estão empatados em quatro pontos, e a ponta da tabela é decidida no momento pelos gols: o mais três do Brasil contra o mais um de Marrocos. Esta vitória por 3 a 0, em outras palavras, não foi apenas três pontos garantidos — foi um colchão guardado, uma apólice de seguro contra o tipo de final apertado do qual o chaveamento do mata-mata pode depender. Se o Brasil tivesse se contentado com um triunfo magro, poderia chegar à última rodada empatado com Marrocos em todos os critérios relevantes. Em vez disso, carrega uma vantagem de dois gols no desempate, o tipo de margem que permite jogar a partida final com a cabeça mais tranquila.

A situação do Haiti é a imagem invertida — e é sombria. Dois jogos, duas derrotas, nenhum gol marcado e quatro sofridos. Os haitianos perderam a estreia por 0 a 1 para a Escócia, resultado que ao menos os manteve por perto, antes deste revés por 0 a 3 diante do Brasil que os empurrou para a lanterna com saldo de menos quatro. Estão em quarto, sem nada na conta, e a partida que resta — fora de casa contra Marrocos, também na madrugada de 25 de junho no horário indiano — carrega agora mais o peso do orgulho do que o da classificação. Para ter qualquer esperança matemática, precisariam de resultados a seu favor e de uma transformação na frente do gol que, pelas evidências de duas atuações sem balançar as redes, parece tarefa ingrata. O perigo no contra-ataque que se esperava deles neste grupo ainda não se traduziu em nada concreto no placar.

Nosso palpite: acertamos

Entramos nesta partida apostando que o Brasil venceria por mais de um gol — o palpite era Brasil −1,5, e atribuímos a ele uma confiança de 78. O raciocínio foi propositalmente comedido: o Haiti, observamos, carregava um perigo real no contra-ataque, do tipo capaz de punir um grande time que relaxa, mas a linha defensiva do Brasil parecia ajustada o suficiente para manter tudo sob controle do outro lado. Essa leitura se confirmou bem. A defesa ajustada entregou o jogo sem sofrer gols, o perigo que respeitávamos jamais virou ameaça concreta, e o 3 a 0 do Brasil cobriu o handicap com folga. É o tipo de desfecho que justifica uma linha cautelosa-mas-confiante em vez de uma temerária — não fingimos que o Haiti era nada, e fomos recompensados por confiar nas forças estruturais do favorito.

Se há uma lição a guardar da tarde, ela é sobre de onde podem vir os gols do Brasil. A expectativa pré-jogo se apoiava em Vinícius e nos nomes de sempre, e Vinícius cumpriu. Mas foi Cunha, o menos celebrado dos atacantes, quem deu o tom com uma dobradinha no primeiro tempo que dobrou sua produção pela seleção em apenas treze minutos. Favoritos costumam vencer esses jogos; a pergunta interessante quase sempre é como e por quem. Desta vez a resposta foi um atacante do Manchester United saindo das sombras no momento exato.

O Brasil, portanto, chega à rodada decisiva do Grupo C exatamente onde gostaria de estar: na liderança da tabela, com três gols de saldo em sua última atuação e com uma defesa que mal foi incomodada. O Haiti sai da disputa em tudo, exceto na matemática. A história do último dia do grupo será escrita em outro lugar — no duelo da Escócia com o líder e na corrida de Marrocos para acompanhar o ritmo —, mas, pelo que se viu, o Brasil parece mais do que preparado para concluir a tarefa.

RM
Escrito por Rohan Mehta Editor & Senior Writer

Rohan runs our World Cup desk and writes the marquee match coverage. He cares less about reputations than about what the form and the matchups are actually telling us, and he keeps one eye on what every result means for the fan following from India.

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