Dobradinha de Cunha e gol de Vinícius levam o Brasil à liderança do Grupo C sobre o Haiti
O Brasil fez exatamente o que se espera de um favorito — e fez tudo antes do apito do intervalo. Três gols, nenhuma resposta e uma tarde de trabalho bem resolvida que levou a seleção ao topo do Grupo C. Matheus Cunha marcou duas vezes nos primeiros 36 minutos e Vinícius fechou a conta na reta final da etapa inicial, deixando o Haiti com a segunda derrota seguida, resultado que praticamente sepulta suas chances nesta Copa do Mundo. O 3 a 0 não engana ninguém nem surpreende ninguém: apenas confirma o que as linhas de desempenho já vinham sugerindo.
A abertura do placar veio aos 23 minutos e trouxe um toque de inesperado. Cunha não é o nome que a maioria anota primeiro ao listar os prováveis decisivos do Brasil. O atacante do Manchester United tinha apenas um gol pela seleção em seus 23 jogos antes desta competição, um retorno modesto o suficiente para que sua convocação fosse questionada mais de uma vez. E, no entanto, ali estava ele, encontrando o espaço e finalizando com a frieza de quem esperava havia muito tempo por exatamente este palco. Para um jogador cuja trajetória pela seleção até pouco tempo se media em participações curtas e quase-gols, foi um momento de verdadeira reabilitação.
Ele não parou por aí. Treze minutos depois, aos 36, Cunha ampliou tanto a própria conta quanto a vantagem brasileira. A dobradinha levou seu número de gols nesta Copa a dois — o mesmo total que ele havia somado em toda a carreira internacional até então, agora alcançado em um único Mundial. Essa estatística, mais do que o placar, resume a tarde dele. Um atacante que passara anos à margem dos planos da seleção surgiu, de repente, como o finalizador mais natural em campo, e o ataque do Brasil — tantas vezes uma questão de quem aparece ao lado de Vinícius — encontrou uma nova resposta.
Vinícius faz o terceiro antes do intervalo
Se Cunha trouxe a surpresa, Vinícius trouxe a inevitabilidade. O atacante do Real Madrid, com folga o mais experiente do setor ofensivo com 49 jogos e nove gols pela seleção, escolheu o momento que mais machuca o adversário para deixar a sua marca — os 45 minutos, o último lance antes de os jogadores irem para a conversa nos vestiários. Seu gol fez o 3 a 0 e encerrou, na prática, o duelo enquanto disputa esportiva. Para Vinícius, foi o segundo gol desta Copa, número que eleva um pouco o seu lugar entre os artilheiros do Brasil e reforça por que o ritmo da equipe tantas vezes passa por ele.
Havia uma harmonia na forma como os gols se distribuíram naquele primeiro tempo — 23, 36, 45 — um acúmulo gradual em vez de uma explosão única, o som de um time se afastando aos poucos do outro. O Haiti, é preciso reconhecer, não desmoronou em uma derrota mais pesada após o intervalo; o placar permaneceu em três. Mas uma segunda etapa sem gols não mudou nada do veredito. O estrago fora feito naqueles 45 minutos iniciais, e o Brasil se contentou em administrar o que havia construído.
Vale a pena demorar um instante na forma daquele primeiro tempo, porque ela revela algo sobre como esta seleção brasileira quer jogar. O primeiro gol veio cedo o bastante — ainda na primeira meia hora — para acalmar qualquer nervosismo antes que ele criasse raiz, e, uma vez à frente, um time tão fluente quanto este tende a puxar o jogo para o seu lado. O segundo, aos 36, eliminou o último caminho realista de volta para o Haiti. E o terceiro, chegando nos acréscimos da etapa inicial, aos 45 minutos, foi o tipo de golpe que esvazia a resistência de um adversário a caminho do vestiário. Quando as equipes reapareceram, o confronto já era praticamente protocolar, e é justamente por isso que o segundo tempo não produziu mais gols: havia pouco a perseguir e pouca necessidade de arriscar.
O que isso significa para o grupo
A vitória empurra o Brasil para o topo do Grupo C, e a tabela agora apresenta o tipo de equilíbrio que torna a última rodada genuinamente importante. O Brasil está em primeiro com quatro pontos, depois de empatar a estreia em 1 a 1 com Marrocos antes deste tranquilo descarte do Haiti. Seu saldo de gols de mais três é o separador decisivo: Marrocos iguala os quatro pontos, mas fica atrás com saldo de mais um, fruto de um grupo até aqui mais cauteloso. A Escócia, com três pontos de sua única vitória, está em terceiro e segue muito viva. As margens no topo são estreitas o bastante para que os jogos finais decidam tudo.
Para o Brasil, a conta é simples e convidativa. Dois jogos disputados, quatro pontos no bolso e uma defesa ajustada que sofreu apenas um gol em todo o grupo — o único na ocasião do empate com Marrocos. A seleção enfrenta a Escócia em seguida, fora de casa, em partida marcada para a madrugada de 25 de junho pelo horário indiano (3h30 IST). Vencendo ou empatando, estará quase certamente classificada como líder do grupo; até uma derrota não seria necessariamente fatal, dado o colchão que o saldo de gols oferece. É a posição que toda equipe deseja ter ao entrar no último jogo da fase — no controle do próprio destino, com margem de sobra.
Esse saldo de gols merece um olhar mais atento, porque, em um grupo tão congestionado, ele pode acabar sendo a diferença entre terminar em primeiro ou em segundo. Brasil e Marrocos estão empatados em quatro pontos, e a ponta da tabela é decidida no momento pelos gols: o mais três do Brasil contra o mais um de Marrocos. Esta vitória por 3 a 0, em outras palavras, não foi apenas três pontos garantidos — foi um colchão guardado, uma apólice de seguro contra o tipo de final apertado do qual o chaveamento do mata-mata pode depender. Se o Brasil tivesse se contentado com um triunfo magro, poderia chegar à última rodada empatado com Marrocos em todos os critérios relevantes. Em vez disso, carrega uma vantagem de dois gols no desempate, o tipo de margem que permite jogar a partida final com a cabeça mais tranquila.
A situação do Haiti é a imagem invertida — e é sombria. Dois jogos, duas derrotas, nenhum gol marcado e quatro sofridos. Os haitianos perderam a estreia por 0 a 1 para a Escócia, resultado que ao menos os manteve por perto, antes deste revés por 0 a 3 diante do Brasil que os empurrou para a lanterna com saldo de menos quatro. Estão em quarto, sem nada na conta, e a partida que resta — fora de casa contra Marrocos, também na madrugada de 25 de junho no horário indiano — carrega agora mais o peso do orgulho do que o da classificação. Para ter qualquer esperança matemática, precisariam de resultados a seu favor e de uma transformação na frente do gol que, pelas evidências de duas atuações sem balançar as redes, parece tarefa ingrata. O perigo no contra-ataque que se esperava deles neste grupo ainda não se traduziu em nada concreto no placar.
Nosso palpite: acertamos
Entramos nesta partida apostando que o Brasil venceria por mais de um gol — o palpite era Brasil −1,5, e atribuímos a ele uma confiança de 78. O raciocínio foi propositalmente comedido: o Haiti, observamos, carregava um perigo real no contra-ataque, do tipo capaz de punir um grande time que relaxa, mas a linha defensiva do Brasil parecia ajustada o suficiente para manter tudo sob controle do outro lado. Essa leitura se confirmou bem. A defesa ajustada entregou o jogo sem sofrer gols, o perigo que respeitávamos jamais virou ameaça concreta, e o 3 a 0 do Brasil cobriu o handicap com folga. É o tipo de desfecho que justifica uma linha cautelosa-mas-confiante em vez de uma temerária — não fingimos que o Haiti era nada, e fomos recompensados por confiar nas forças estruturais do favorito.
Se há uma lição a guardar da tarde, ela é sobre de onde podem vir os gols do Brasil. A expectativa pré-jogo se apoiava em Vinícius e nos nomes de sempre, e Vinícius cumpriu. Mas foi Cunha, o menos celebrado dos atacantes, quem deu o tom com uma dobradinha no primeiro tempo que dobrou sua produção pela seleção em apenas treze minutos. Favoritos costumam vencer esses jogos; a pergunta interessante quase sempre é como e por quem. Desta vez a resposta foi um atacante do Manchester United saindo das sombras no momento exato.
O Brasil, portanto, chega à rodada decisiva do Grupo C exatamente onde gostaria de estar: na liderança da tabela, com três gols de saldo em sua última atuação e com uma defesa que mal foi incomodada. O Haiti sai da disputa em tudo, exceto na matemática. A história do último dia do grupo será escrita em outro lugar — no duelo da Escócia com o líder e na corrida de Marrocos para acompanhar o ritmo —, mas, pelo que se viu, o Brasil parece mais do que preparado para concluir a tarefa.
