Muñoz marca no fim e Colômbia vence RD Congo por 1 a 0 e lidera o Grupo K
Levou 76 minutos, mas a Colômbia encontrou a brecha que procurava a noite toda. Daniel Muñoz foi o homem que a abriu, e seu gol foi suficiente para decidir um duro confronto do Grupo K e levar a Colômbia ao topo da tabela com uma vitória por 1 a 0 sobre a RD Congo, em 24 de junho de 2026.
Não foi uma noite para os melhores momentos. Foi uma noite de paciência, de sangue-frio e, no fim das contas, de um lance de qualidade de um zagueiro que, discretamente, se tornou um dos nomes mais confiáveis deste elenco colombiano. A vitória faz com que a Colômbia some duas em duas nesta Copa do Mundo, e deixa a RD Congo com muito o que pensar antes de seu último jogo na fase de grupos.
O momento decisivo
Durante 75 minutos, o Grupo K ameaçou nos entregar um empate sem gols. A RD Congo se armou para incomodar, a Colômbia sondou sem realmente furar o bloqueio, e o placar seguiu zerado enquanto o relógio avançava para o último quarto da partida. Então veio o gol.
Aos 76 minutos, Muñoz chegou no momento exato para colocar a Colômbia em vantagem. O atleta do Crystal Palace finalizou, e o alívio entre os jogadores colombianos foi tão visível quanto a comemoração. Foi o único gol do jogo, e acabou sendo o gol que decidiu tudo — três pontos, a liderança e, ainda por cima, sem sofrer gols.
O que torna o lance ainda mais notável é que este foi o segundo gol de Muñoz nesta Copa do Mundo. Para um jogador que atua como zagueiro, contribuir com dois gols no espaço de duas partidas da fase de grupos é um aproveitamento notável, e o transformou em uma das improváveis armas ofensivas da Colômbia neste torneio.
Como o jogo se desenrolou
O padrão da partida se definiu cedo. A RD Congo, ciente do que estava em jogo após o empate na estreia diante de Portugal, se mostrou organizada e difícil de superar. Atuou compacta, negou à Colômbia os espaços entre as linhas e buscou manter o jogo travado na esperança de arrancar um resultado.
Por longos trechos, deu certo. A Colômbia, apesar de toda a posse de bola e da intenção, não conseguia encontrar o passe decisivo nem a finalização precisa que destravariam o confronto. O primeiro tempo terminou sem gols e, à medida que a etapa final avançava, a pergunta passou a ser se o ataque colombiano teria a paciência e a precisão para encontrar um caminho, ou se a RD Congo seguraria firme em busca de um ponto valioso.
É essa tensão que tornou o lance dos 76 minutos tão significativo. Um momento de qualidade mudou toda a fisionomia da noite. Até aquele instante, o plano da RD Congo havia sido executado quase à perfeição. Depois dele, a equipe corria atrás de um jogo que tanto havia se esforçado para manter empatado.
É preciso reconhecer que a RD Congo não desabou. Mas não conseguiu o empate, e a Colômbia administrou os minutos finais para proteger tanto a vantagem quanto o jogo sem sofrer gols. O apito final confirmou o 1 a 0, um resultado que não brilhou em termos de espetáculo, mas premiou a equipe que aproveitou sua grande chance.
O impacto de Muñoz
Vale a pena parar para observar o que Daniel Muñoz vem fazendo neste torneio. Aos 30 anos e com 46 jogos pela seleção, ele é um veterano experiente, e não um estreante deslumbrado. Ainda assim, é nesta Copa do Mundo que ele produziu talvez as contribuições ofensivas mais marcantes de sua carreira internacional.
Dois gols em dois jogos da fase de grupos é o tipo de aproveitamento que deixaria a maioria dos atacantes satisfeita, quanto mais um zagueiro. O retrospecto de Muñoz pela seleção agora soma três gols no total, o que reforça o quanto desse saldo foi conquistado justamente neste palco. Para a Colômbia, ter um zagueiro capaz de aparecer com gols decisivos é um enorme bônus — acrescenta uma dimensão extra a um time que já carrega bastante perigo mais à frente.
Além dos gols, a contribuição de Muñoz tem a ver com confiabilidade. Ele é o tipo de jogador em quem um treinador confia nos grandes momentos e, a julgar por estas atuações, está retribuindo essa confiança com folga. Quando o jogo precisou de alguém para dar um passo à frente e fazer a diferença, foi Muñoz quem atendeu ao chamado.
O que isso significa para a tabela do grupo
O resultado reorganiza o Grupo K em favor da Colômbia. A equipe agora lidera a chave com 6 pontos em duas partidas, tendo vencido as duas. Seu retrospecto é de duas vitórias, quatro gols marcados e apenas um sofrido, um saldo de mais três. A vitória por 3 a 1 fora de casa diante do Uzbequistão na estreia, seguida deste triunfo por 1 a 0, garante um início perfeito.
Atrás deles, Portugal ocupa a segunda posição com 4 pontos, com um saldo de gols superior, de mais cinco, a partir de seis gols marcados e um sofrido. O retrospecto português de uma vitória e um empate o mantém firmemente na disputa, e a diferença na ponta está longe de definida.
Já a RD Congo cai para o terceiro lugar, com um único ponto. Sua campanha começou com um meritório empate por 1 a 1 contra Portugal, mas esta derrota a deixa precisando de um resultado em seu último jogo da fase de grupos para manter vivas as esperanças. Sua coluna de gols registra um marcado e dois sofridos, um saldo de menos um. Na lanterna está o Uzbequistão, com zero ponto, após perder seus dois jogos até aqui.
A tabela conta a história de um grupo que vai tomando forma, mas que ainda não está decidido. A Colômbia se deu a melhor plataforma possível, mas a rodada final de jogos ainda carrega bastante peso para todos os envolvidos.
Nosso veredito de palpite: um erro assumido
Agora, a parte sobre a qual precisamos ser francos. Nosso palpite para esta partida foi Colômbia −1, com uma confiança de 71%. O raciocínio era que o ataque da Colômbia estava em boa fase e acabaria encontrando um caminho, e que a equipe tinha qualidade para vencer por uma margem confortável, e não por apenas um gol.
A Colômbia venceu, e a primeira parte dessa leitura estava certa — ela encontrou um caminho, graças a Muñoz. Mas a margem foi o problema. Um resultado de 1 a 0 significa uma vitória por um gol de diferença, e um handicap de −1 exige uma margem de dois gols ou mais para se concretizar. Ao vencer por exatamente um, a Colômbia ficou do lado errado dessa linha para nós. Isso foi um erro, pura e simplesmente.
Não há como apresentar isso de outra forma. Apostamos que a Colômbia venceria por mais do que venceu, e ela não entregou a margem de que precisávamos. O resultado do jogo veio a nosso favor; a aposta, não. Quando você coloca um número na sua confiança, precisa assumir os desfechos que vêm depois, e este não se concretizou. Vamos levar a lição — a de que um time capaz de vencer nem sempre é um time capaz de vencer com folga, especialmente contra um adversário armado para defender — para os jogos que vêm pela frente.
O caminho à frente
Os dois times agora voltam suas atenções para uma rodada final decisiva da fase de grupos, em 28 de junho de 2026.
Para a Colômbia, a recompensa por liderar o grupo é um confronto com Portugal — um duelo de peso que pode decidir a primeira colocação no Grupo K. Com 6 pontos já garantidos e uma vantagem no saldo de gols a proteger, a Colômbia está em posição confortável, mas o poder de fogo de Portugal significa que não haverá espaço para acomodação. É o tipo de jogo que costuma estar à altura da ocasião, e a boa fase de Muñoz dará à Colômbia a esperança de levar o embalo para dentro dele.
Para a RD Congo, a conta é mais urgente. A equipe enfrenta o Uzbequistão em sua última partida, um jogo em que será amplamente favorita, dadas as duas derrotas do adversário até aqui. Uma vitória ali elevaria a pontuação da RD Congo e manteria vivas as chances de classificação, a depender de outros resultados. Após um empate e uma derrota apertada, eles sabem exatamente o que é preciso.
O que podemos afirmar com certeza é que a Colômbia aproveitou ao máximo suas duas primeiras partidas, e que Daniel Muñoz esteve no centro de tudo. Um zagueiro com dois gols em uma Copa do Mundo é o tipo de enredo do qual os torneios são feitos, e a Colômbia vai torcer para que haja mais por vir. Por enquanto, porém, a manchete é simples: uma vitória por 1 a 0, a liderança do Grupo K e missão cumprida — ainda que, para o nosso palpite, tenha sido uma missão que terminou a um único gol de distância.
