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Muñoz marca no fim e Colômbia vence RD Congo por 1 a 0 e lidera o Grupo K

Muñoz marca no fim e Colômbia vence RD Congo por 1 a 0 e lidera o Grupo K
Photo: Wikimedia Commons

Levou 76 minutos, mas a Colômbia encontrou a brecha que procurava a noite toda. Daniel Muñoz foi o homem que a abriu, e seu gol foi suficiente para decidir um duro confronto do Grupo K e levar a Colômbia ao topo da tabela com uma vitória por 1 a 0 sobre a RD Congo, em 24 de junho de 2026.

Não foi uma noite para os melhores momentos. Foi uma noite de paciência, de sangue-frio e, no fim das contas, de um lance de qualidade de um zagueiro que, discretamente, se tornou um dos nomes mais confiáveis deste elenco colombiano. A vitória faz com que a Colômbia some duas em duas nesta Copa do Mundo, e deixa a RD Congo com muito o que pensar antes de seu último jogo na fase de grupos.

O momento decisivo

Durante 75 minutos, o Grupo K ameaçou nos entregar um empate sem gols. A RD Congo se armou para incomodar, a Colômbia sondou sem realmente furar o bloqueio, e o placar seguiu zerado enquanto o relógio avançava para o último quarto da partida. Então veio o gol.

Aos 76 minutos, Muñoz chegou no momento exato para colocar a Colômbia em vantagem. O atleta do Crystal Palace finalizou, e o alívio entre os jogadores colombianos foi tão visível quanto a comemoração. Foi o único gol do jogo, e acabou sendo o gol que decidiu tudo — três pontos, a liderança e, ainda por cima, sem sofrer gols.

O que torna o lance ainda mais notável é que este foi o segundo gol de Muñoz nesta Copa do Mundo. Para um jogador que atua como zagueiro, contribuir com dois gols no espaço de duas partidas da fase de grupos é um aproveitamento notável, e o transformou em uma das improváveis armas ofensivas da Colômbia neste torneio.

Como o jogo se desenrolou

O padrão da partida se definiu cedo. A RD Congo, ciente do que estava em jogo após o empate na estreia diante de Portugal, se mostrou organizada e difícil de superar. Atuou compacta, negou à Colômbia os espaços entre as linhas e buscou manter o jogo travado na esperança de arrancar um resultado.

Por longos trechos, deu certo. A Colômbia, apesar de toda a posse de bola e da intenção, não conseguia encontrar o passe decisivo nem a finalização precisa que destravariam o confronto. O primeiro tempo terminou sem gols e, à medida que a etapa final avançava, a pergunta passou a ser se o ataque colombiano teria a paciência e a precisão para encontrar um caminho, ou se a RD Congo seguraria firme em busca de um ponto valioso.

É essa tensão que tornou o lance dos 76 minutos tão significativo. Um momento de qualidade mudou toda a fisionomia da noite. Até aquele instante, o plano da RD Congo havia sido executado quase à perfeição. Depois dele, a equipe corria atrás de um jogo que tanto havia se esforçado para manter empatado.

É preciso reconhecer que a RD Congo não desabou. Mas não conseguiu o empate, e a Colômbia administrou os minutos finais para proteger tanto a vantagem quanto o jogo sem sofrer gols. O apito final confirmou o 1 a 0, um resultado que não brilhou em termos de espetáculo, mas premiou a equipe que aproveitou sua grande chance.

O impacto de Muñoz

Vale a pena parar para observar o que Daniel Muñoz vem fazendo neste torneio. Aos 30 anos e com 46 jogos pela seleção, ele é um veterano experiente, e não um estreante deslumbrado. Ainda assim, é nesta Copa do Mundo que ele produziu talvez as contribuições ofensivas mais marcantes de sua carreira internacional.

Dois gols em dois jogos da fase de grupos é o tipo de aproveitamento que deixaria a maioria dos atacantes satisfeita, quanto mais um zagueiro. O retrospecto de Muñoz pela seleção agora soma três gols no total, o que reforça o quanto desse saldo foi conquistado justamente neste palco. Para a Colômbia, ter um zagueiro capaz de aparecer com gols decisivos é um enorme bônus — acrescenta uma dimensão extra a um time que já carrega bastante perigo mais à frente.

Além dos gols, a contribuição de Muñoz tem a ver com confiabilidade. Ele é o tipo de jogador em quem um treinador confia nos grandes momentos e, a julgar por estas atuações, está retribuindo essa confiança com folga. Quando o jogo precisou de alguém para dar um passo à frente e fazer a diferença, foi Muñoz quem atendeu ao chamado.

O que isso significa para a tabela do grupo

O resultado reorganiza o Grupo K em favor da Colômbia. A equipe agora lidera a chave com 6 pontos em duas partidas, tendo vencido as duas. Seu retrospecto é de duas vitórias, quatro gols marcados e apenas um sofrido, um saldo de mais três. A vitória por 3 a 1 fora de casa diante do Uzbequistão na estreia, seguida deste triunfo por 1 a 0, garante um início perfeito.

Atrás deles, Portugal ocupa a segunda posição com 4 pontos, com um saldo de gols superior, de mais cinco, a partir de seis gols marcados e um sofrido. O retrospecto português de uma vitória e um empate o mantém firmemente na disputa, e a diferença na ponta está longe de definida.

Já a RD Congo cai para o terceiro lugar, com um único ponto. Sua campanha começou com um meritório empate por 1 a 1 contra Portugal, mas esta derrota a deixa precisando de um resultado em seu último jogo da fase de grupos para manter vivas as esperanças. Sua coluna de gols registra um marcado e dois sofridos, um saldo de menos um. Na lanterna está o Uzbequistão, com zero ponto, após perder seus dois jogos até aqui.

A tabela conta a história de um grupo que vai tomando forma, mas que ainda não está decidido. A Colômbia se deu a melhor plataforma possível, mas a rodada final de jogos ainda carrega bastante peso para todos os envolvidos.

Nosso veredito de palpite: um erro assumido

Agora, a parte sobre a qual precisamos ser francos. Nosso palpite para esta partida foi Colômbia −1, com uma confiança de 71%. O raciocínio era que o ataque da Colômbia estava em boa fase e acabaria encontrando um caminho, e que a equipe tinha qualidade para vencer por uma margem confortável, e não por apenas um gol.

A Colômbia venceu, e a primeira parte dessa leitura estava certa — ela encontrou um caminho, graças a Muñoz. Mas a margem foi o problema. Um resultado de 1 a 0 significa uma vitória por um gol de diferença, e um handicap de −1 exige uma margem de dois gols ou mais para se concretizar. Ao vencer por exatamente um, a Colômbia ficou do lado errado dessa linha para nós. Isso foi um erro, pura e simplesmente.

Não há como apresentar isso de outra forma. Apostamos que a Colômbia venceria por mais do que venceu, e ela não entregou a margem de que precisávamos. O resultado do jogo veio a nosso favor; a aposta, não. Quando você coloca um número na sua confiança, precisa assumir os desfechos que vêm depois, e este não se concretizou. Vamos levar a lição — a de que um time capaz de vencer nem sempre é um time capaz de vencer com folga, especialmente contra um adversário armado para defender — para os jogos que vêm pela frente.

O caminho à frente

Os dois times agora voltam suas atenções para uma rodada final decisiva da fase de grupos, em 28 de junho de 2026.

Para a Colômbia, a recompensa por liderar o grupo é um confronto com Portugal — um duelo de peso que pode decidir a primeira colocação no Grupo K. Com 6 pontos já garantidos e uma vantagem no saldo de gols a proteger, a Colômbia está em posição confortável, mas o poder de fogo de Portugal significa que não haverá espaço para acomodação. É o tipo de jogo que costuma estar à altura da ocasião, e a boa fase de Muñoz dará à Colômbia a esperança de levar o embalo para dentro dele.

Para a RD Congo, a conta é mais urgente. A equipe enfrenta o Uzbequistão em sua última partida, um jogo em que será amplamente favorita, dadas as duas derrotas do adversário até aqui. Uma vitória ali elevaria a pontuação da RD Congo e manteria vivas as chances de classificação, a depender de outros resultados. Após um empate e uma derrota apertada, eles sabem exatamente o que é preciso.

O que podemos afirmar com certeza é que a Colômbia aproveitou ao máximo suas duas primeiras partidas, e que Daniel Muñoz esteve no centro de tudo. Um zagueiro com dois gols em uma Copa do Mundo é o tipo de enredo do qual os torneios são feitos, e a Colômbia vai torcer para que haja mais por vir. Por enquanto, porém, a manchete é simples: uma vitória por 1 a 0, a liderança do Grupo K e missão cumprida — ainda que, para o nosso palpite, tenha sido uma missão que terminou a um único gol de distância.

DO
Escrito por Daniel Okafor Africa Football Writer

Daniel follows the African sides closely, from Morocco and Senegal to Ivory Coast and Congo DR. He writes about the players, the styles and the storylines that don't always get the airtime they deserve at a tournament this size.

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