RD Congo 3–1 Uzbequistão: dobradinha de Wissa vira o jogo após o susto inicial de Shomurodov
Por dez minutos na decisão do Grupo K, o Uzbequistão pareceu uma seleção disposta a reescrever a história de sua primeira Copa do Mundo. O gol madrugador de Eldor Shomurodov lhe deu uma vantagem que não havia segurado em nenhum momento ao longo do torneio e, por um breve instante, o time cravado na lanterna do grupo ameaçou estragar a noite da RD Congo. Não durou. Yoane Wissa respondeu com um pênalti logo depois da hora de jogo, Fiston Mayele acrescentou o segundo dez minutos mais tarde, e a segunda cobrança de Wissa já nos acréscimos fechou o 3–1 e sublinhou uma virada que importou muito além do placar. No apito final, a RD Congo tinha a vitória de que precisava, os pontos que a empurraram adiante e um atacante em fase quentíssima, enquanto ao Uzbequistão restou absorver a terceira derrota em três jogos e uma longa viagem de volta para casa.
O gol madrugador de Shomurodov ameaça a zebra
Não havia nada de tímido no jeito como o Uzbequistão começou. Antes dos dez minutos, Shomurodov encontrou o caminho da rede e, de todos os homens para colocá-los na frente, este era o que carregava o currículo mais pesado. Atacante de 30 anos, com 92 jogos pela seleção e 44 gols internacionais no nome, Shomurodov é o ponto de referência deste Uzbequistão e seu artilheiro mais condecorado, e o gol aqui foi o seu primeiro na Copa do Mundo. Depois de duas derrotas pesadas em que sua equipe correu atrás do prejuízo quase desde o início, dar o primeiro golpe diante da RD Congo foi um momento de genuíno desafio. Por dez minutos e um pouco mais, o lanterna do grupo liderava o terceiro colocado, e a possibilidade de uma zebra na última rodada pairou sobre a partida.
Era, na verdade, o tipo de começo que o Uzbequistão vinha implorando. Sua campanha trouxera uma derrota por 1–3 para a Colômbia e um doloroso 0–5 fora de casa diante de Portugal, resultados que falavam de uma defesa atropelada e de um time incapaz de encostar a mão nos adversários mais fortes do grupo. O gol de Shomurodov, então, foi um vislumbre do que poderia ter sido — a prova de que o talento para incomodar até mesmo um time tão físico quanto a RD Congo estava ali, bastasse construir a plataforma em volta dele. Por um tempo, pareceu que poderia ser. Mas um único gol é coisa frágil de se defender por oitenta minutos diante de adversários com tanto poder de fogo, e a vantagem do Uzbequistão provaria ser o ápice de sua noite, não o alicerce dela.
Como a RD Congo virou o jogo
A RD Congo tinha todos os motivos para manter a calma, e manteve. Ficar atrás cedo a obrigou a se lançar ao ataque e, em vez de entrar em pânico, ela se apoiou na pressão que conseguia gerar, prendendo o Uzbequistão e testando uma defesa que já havia sofrido onze gols ao longo do grupo. O desempate veio da marca do pênalti, aos 68 minutos, e o homem que se postou diante da bola era a escolha óbvia. Wissa, atacante do Newcastle United, já havia se firmado como o goleador de confiança da RD Congo neste torneio, e manteve a frieza para igualar a disputa. Foi seu terceiro gol na Copa do Mundo, o tipo de retorno que transforma um atacante útil em um atacante decisivo, e mudou toda a fisionomia da noite.
Da igualdade, a RD Congo partiu em busca da virada, e não teve de esperar muito. Dez minutos depois do empate de Wissa, Mayele marcou para fazer 2–1. O jogador de 31 anos, que atua pelo Pyramids, no Egito, vinha à margem do placar nesta Copa do Mundo, e este foi seu primeiro gol no torneio — um gol oportuno, que chegou exatamente no momento em que a RD Congo precisava converter pressão em vantagem. Onde o gol de Shomurodov fora uma declaração de intenção que o Uzbequistão não conseguiu sustentar, o de Mayele foi o produto de um domínio prolongado finalmente encontrando sua recompensa. O jogo havia virado, e o Uzbequistão, novamente correndo atrás, pouco tinha a oferecer.
O placar foi arredondado da maneira mais cruel para os visitantes, com Wissa indo à cobrança outra vez já nos acréscimos, aos 90 minutos, para converter o segundo pênalti e completar a dobradinha. Dois pênaltis, duas finalizações, nenhuma hesitação — a noite de Wissa foi um estudo sobre a calma que separa o confiável do meramente capaz. O placar final de 3–1 não favoreceu injustamente nenhum dos lados: o Uzbequistão teve sua vantagem inicial e seu momento de crença, mas a RD Congo teve a maior qualidade ao longo dos noventa minutos, o lado mais afiado quando o jogo se abriu e um atacante que simplesmente não erra dos onze metros.
Os destaques de uma noite decisiva
Esta foi, acima de tudo, a partida de Wissa. Marcar duas vezes num jogo decisivo de grupo, ambos da marca do pênalti e ambos sob o peso de um resultado que trazia consequências reais, é a marca de um atacante no auge da confiança. Sua dobradinha o levou a três gols nesta Copa do Mundo, a ponta de lança do ataque da RD Congo e a maior razão isolada para que ela deixe a fase de grupos ainda de pé. Para um time que nem sempre achou os gols com facilidade, ter um centroavante nessa fase é um luxo que vale o seu peso, e a RD Congo vai levar isso para o que vier a seguir.
A contribuição de Mayele merece menção própria. Seu gol, o que colocou a RD Congo na frente, foi a dobradiça em que a noite girou e, para um jogador de 31 anos cuja artilharia pela seleção tem sido mais ocasional do que prolífica, abrir sua conta na Copa do Mundo numa partida desta importância foi um belo momento. E, apesar de a noite ter terminado em derrota, Shomurodov pode erguer a cabeça. Seu gol foi o momento mais brilhante do Uzbequistão no torneio, um lembrete da qualidade que o tornou o atacante mais prolífico de seu país e o único da noite a, ainda que por pouco, castigar de fato a RD Congo. Que sua equipe não tenha conseguido construir a partir dali não foi por falta de empenho da parte dele.
O que significa para o Grupo K
Os resultados da última rodada acomodam o Grupo K numa ordem clara. A Colômbia termina em primeiro com sete pontos, com seu saldo de gols de mais três selando a liderança. Portugal fica em segundo com cinco pontos, invicto nos três jogos e com saldo de mais cinco, e os dois avançam como a dupla de ponta do grupo. A vitória da RD Congo a leva a quatro pontos e ao terceiro lugar, um retorno construído sobre um empate em 1–1 fora diante de Portugal, uma derrota apertada por 0–1 na Colômbia e agora esta vitória por 3–1 — uma vitória, um empate, uma derrota e um saldo de gols positivo de mais um que reflete uma campanha de margens mínimas contra adversários fortes.
Para o Uzbequistão, a tabela conta uma história implacável. Três jogos, três derrotas, nenhum ponto e um saldo de gols de menos nove depois de sofrer onze gols ao longo do grupo. Termina na lanterna do Grupo K, com sua Copa do Mundo encerrada, e o abismo entre a promessa inicial de Shomurodov e o placar final espelha a distância entre sua ambição e sua experiência neste nível. Houve lampejos — o gol madrugador aqui à frente de todos —, mas uma primeira Copa do Mundo provou ser uma educação dura, e eles voltam para casa sem um ponto a mostrar.
Nossa previsão: um veredito honesto
Esta nós acertamos. Nosso palpite era de vitória da RD Congo, com confiança de 64 por cento, baseado no raciocínio de que o goleiro do Uzbequistão havia sido seu jogador mais movimentado e de que mais do mesmo era provável aqui. O resultado de 3–1 faz desse palpite um claro acerto. Não vamos fingir que prevíamos o susto inicial — o gol de Shomurodov aos dez minutos não estava no roteiro e, por um tempo, ameaçou deixar a previsão com cara de otimismo. Mas a leitura de fundo se confirmou: o Uzbequistão não conseguiu manter o ataque da RD Congo à distância por noventa minutos, a pressão pesou e o melhor time venceu. Os dois pênaltis de Wissa e o gol de Mayele foram exatamente o tipo de retorno ofensivo sobre o qual nosso palpite foi construído, e nesta ocasião a confiança se justificou.
O que vem por aí para os dois times
A recompensa da RD Congo por navegar pela fase de grupos é uma vaga no mata-mata, com sua tabela de jogos agora apontando para um confronto fora de casa diante da Inglaterra em 1º de julho, marcado para as 21h30 (IST). É um próximo passo intimidador, mas conquistado da forma mais difícil: três jogos contra um grupo duro, quatro pontos no bolso e um atacante em Wissa que carregou o fardo dos gols com real autoridade. A seleção entrará nesse confronto como azarão, mas um time que consegue sair atrás do placar para vencer uma decisão, como fez aqui, não vai carecer de crença.
Para o Uzbequistão, o torneio está encerrado. Seus três jogos — a derrota por 1–3 para a Colômbia, o revés por 0–5 fora diante de Portugal e este 3–1 contra a RD Congo — não renderam pontos e serviram de lembrete sóbrio da distância entre uma seleção estreante e os nomes consagrados deste nível. Houve aspectos positivos a guardar, o gol de Shomurodov à frente de todos, mas a lição de uma primeira Copa do Mundo é dura. Eles deixam o palco com experiência acumulada e uma noção clara de quanto terreno ainda há a recuperar, enquanto a RD Congo segue em frente.
