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Alemanha 1–1 Paraguai: Paraguai vence por 4–3 nos pênaltis e elimina os alemães

Alemanha 1–1 Paraguai: Paraguai vence por 4–3 nos pênaltis e elimina os alemães
Photo: Wikimedia Commons

Alguns confrontos eliminatórios são decididos por um lance de brilho, outros por uma única falha defensiva. Este foi decidido pelo desempate mais cruel do futebol. Alemanha e Paraguai não conseguiram se separar ao longo dos noventa minutos e de mais trinta da prorrogação, com os dois lados trocando um gol cada para terminar empatados em 1–1, e assim um confronto da fase de 32 que havia conquistado a duras penas o seu lugar nas oitavas de final foi até os pênaltis. Ali, foi o Paraguai quem se manteve firme, vencendo a disputa por 4–3 para avançar e mandar a Alemanha — uma das favoritas antes do torneio — para fora da Copa do Mundo.

Para uma seleção que havia liderado o seu grupo e chegava entre os nomes cotados, esta é uma eliminação que vai doer. Não houve goleada, nem colapso, nem uma tarde inteira sendo superada em qualidade. A Alemanha estava empatada quando o apito final da prorrogação soou, a um chute de avançar em qualquer das direções, e foi simplesmente a loteria das cobranças que pesou contra ela. O Paraguai, o time que muitos haviam rotulado como incômodo, mas limitado, fez exatamente o que vem fazendo o torneio inteiro: permaneceu no confronto, recusou-se a se apressar e ainda estava de pé quando mais importou.

Um gol para cada lado e, depois, a longa espera

Os fatos essenciais são contados rapidamente. Entre o tempo regulamentar e a prorrogação a partida terminou em 1–1, cada lado balançando a rede uma vez e nenhum conseguindo encontrar um gol decisivo antes da disputa. Foi um confronto que se fechou em vez de se abrir conforme os minutos passavam, o tipo de futebol de mata-mata travado e de atrito em que um único gol pode parecer uma montanha e o medo de sofrer aos poucos supera a vontade de se lançar ao ataque. Quando a prorrogação se encerrou com o placar ainda empatado, os pênaltis tinham a sombria inevitabilidade que paira sobre qualquer confronto apertado demais para se prever.

O que se seguiu foi o teste para o qual nenhuma campanha de fase de grupos pode preparar uma equipe. A disputa chegou a 4–3 a favor do Paraguai, uma margem das mais finas possíveis, e foram os sul-americanos quem converteram quando a pressão estava no seu ponto mais sufocante. Não há forma mais gentil de perder nem mais sortuda de vencer, e os dois times sabem disso. A Alemanha não fez muita coisa errada ao longo da noite; simplesmente encontrou um adversário que a acompanhou passo a passo e depois levou a melhor na única fase do confronto que depende tanto de frieza quanto de qualidade.

Vale ser claro sobre o que este resultado é e o que não é. Não é uma história de uma Alemanha atropelada. O placar dentro de campo foi um empate, e apenas os pênaltis separaram as equipes. Mas seria igualmente errado arquivar a noite como um empate, porque um confronto de mata-mata não tem lugar para empate: alguém tinha de avançar, e esse alguém é o Paraguai. Os alemães estão eliminados; os paraguaios seguem em frente.

Dois caminhos muito diferentes até a fase de 32

As jornadas que levaram estas equipes a esta partida eliminatória dificilmente poderiam ter parecido mais diferentes, e ajudam a enquadrar por que o confronto se desenrolou como se desenrolou. A Alemanha chegou como vencedora do Grupo E, liderando a sua chave com sete pontos em quatro jogos — duas vitórias, um empate e uma derrota — e terminando em primeiro pelo saldo de gols e pelo peso ofensivo. O retrospecto era o de uma equipe capaz de avassalar adversários mais fracos e de tropeçar diante de testes mais duros na mesma medida: onze gols marcados contra cinco sofridos, com uma linha de forma de VVDE.

Esses números contam a sua própria história. A Alemanha abriu a campanha com uma goleada de 7–1 sobre Curaçao e a seguiu com uma suada vitória de 2–1 contra a Costa do Marfim, o tipo de início que fazia os neutros concordarem com o rótulo de favorita. Veio então a oscilação: uma derrota de 1–2 fora de casa para o Equador que expôs uma fragilidade por trás do setor ofensivo, antes de um comedido empate de 1–1 — contra, como se viu, justamente este Paraguai — encerrar o grupo. Liderou a tabela, mas chegou ao mata-mata com dúvidas sobre se os seus arroubos ofensivos conseguiriam mascarar as suas falhas defensivas.

O caminho do Paraguai foi bem mais árduo. Classificou-se do Grupo D na segunda posição com cinco pontos, um saldo construído não sobre gols, mas sobre resiliência: apenas três marcados e cinco sofridos em quatro jogos, com uma linha de forma de EVDD. O torneio começou com uma dura derrota de 1–4 fora de casa para os Estados Unidos, o tipo de resultado que pode descarrilar uma campanha antes mesmo de ela começar. Em vez disso, isso o fortaleceu. Uma disciplinada vitória de 1–0 fora de casa sobre a Turquia estabilizou o barco, um obstinado empate de 0–0 com a Austrália garantiu mais um ponto, e o empate de 1–1 fora de casa contra a Alemanha na última rodada confirmou tanto a sua vaga no mata-mata quanto a sua identidade: difícil de bater, difícil de furar e completamente à vontade em um jogo truncado e de poucos gols.

Visto sob essa luz, o confronto da fase de 32 foi quase uma continuação daquele último jogo da fase de grupos. Duas equipes que já haviam empatado em 1–1 simplesmente o fizeram de novo sob as luzes do mata-mata — e desta vez, sem mais partidas para amenizar o golpe, o impasse teve de ser quebrado nos pênaltis. Toda a campanha do Paraguai havia sido um estudo sobre conviver com adversários mais bem-equipados e confiar na sua organização para seguir adiante. Na maior noite até agora, essa abordagem deu certo.

Nosso veredito: um erro honesto

Temos de ser francos sobre o nosso próprio palpite, porque a responsabilidade importa mais do que o ego. Nossa dica para este confronto foi Alemanha −1.5 com uma confiança de 75%, com o raciocínio de que a Alemanha levaria a melhor na qualidade mesmo com a organização do Paraguai viajando bem e frustrando. Foi um jogo apertado nas nossas próprias palavras, e não deu certo. Este foi um claro erro, e não há como maquiar: a Alemanha não venceu por dois gols, nem por um, nem de forma alguma no tempo normal ou na prorrogação, e depois perdeu a disputa de pênaltis. Os favoritos em quem apostamos estão em um voo de volta para casa.

Se há uma lição a tirar, é aquela que o Paraguai vem ensinando o torneio inteiro. Uma equipe que defende bem, mantém a disciplina e confia no seu plano pode arrastar um adversário mais talentoso para o seu nível e depois vencê-lo nos detalhes — e uma linha de handicap, por mais bem fundamentada que seja, não oferece proteção alguma contra um time que simplesmente se recusa a perder. Avaliamos bem a qualidade da Alemanha, e não estávamos errados em dizer que ela tinha mais. Subestimamos o quão pouco essa qualidade contaria assim que o Paraguai transformasse a noite em um jogo truncado. Isso é por nossa conta.

E agora, o Paraguai

Para o Paraguai, a recompensa é uma vaga nas oitavas de final e a chance de continuar fazendo o que faz de melhor em um palco ainda maior. Poucos vão apostar nele contra os pesos-pesados do torneio, e é exatamente nessa posição que esta equipe parece mais perigosa. Passou a Copa do Mundo inteira sendo subestimada, e passou a Copa do Mundo inteira provando que resiliência, organização e uma frieza gélida na marca dos onze metros podem levar uma seleção muito longe. Um time que marcou apenas um punhado de gols encontrou, ainda assim, um caminho fundo no mata-mata, e pelas evidências desta disputa de pênaltis não vai se intimidar com quem quer que apareça no seu caminho.

A tarefa imediata é recuperação e renovação. Uma disputa de pênaltis cobra um preço físico e emocional que nem sempre aparece nas estatísticas, e o Paraguai precisará se reequilibrar rapidamente para as oitavas de final. Mas avança com o bem mais precioso que uma equipe de mata-mata pode carregar: a certeza comprovada de que consegue levar os melhores ao limite e superá-los na resistência. A Alemanha, por sua vez, fica para refletir sobre um torneio que prometia muito e terminou no giro implacável de uma moeda. Em um único confronto, o chaveamento foi reescrito — e foi o Paraguai, e não a favorita, quem o reescreveu.

MB
Escrito por Marcus Bell Match Reporter

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