Gol de Diallo no apagar das luzes dá à Costa do Marfim uma estreia preciosa diante do Equador
Durante oitenta e nove minutos, isto parecia o empate sem gols que quase todos meio que esperavam, daquele tipo de jogo cauteloso e de detalhes mínimos em que um erro ou um lance de classe individual vale três pontos. Então, aos 90 minutos, Amad Diallo encontrou esse lance, e a Costa do Marfim deixou o campo na estreia de Copa do Mundo com uma vitória por 1 a 0 sobre o Equador que o placar, por si só, mal consegue explicar. Um único gol, marcado bem no fim por um atacante de 23 anos do Manchester United, separou duas equipes que não tinham cedido nada por uma hora e meia — e em um Grupo E já distorcido pela declaração de sete gols da Alemanha na estreia, esses três pontos podem acabar valendo muito mais do que a margem apertada sugere.
O momento do gol é a história inteira aqui, e vale a pena se demorar nele em vez de enfeitá-lo com detalhes inventados. Diallo marcou aos 90 minutos. Não aos 9, não aos 45, mas no último ato do tempo normal, o ponto em que um 0 a 0 já tinha se cristalizado em algo que ambos os lados talvez aceitassem a contragosto. Quebrar um impasse tão tarde é, no futebol de torneio, uma virada psicológica enorme. O Equador terá passado boa parte da noite acreditando que tinha feito a parte difícil — manter o jogo sem sofrer gol contra uma Costa do Marfim físico longe de casa — apenas para ver tudo lhe ser tirado no último instante. Não há gol de honra para amenizar, nem ponto resgatado: o resumo mostra que o Equador não conseguiu sequer balançar as redes, e esse zero é o que o condena a não levar nada de um jogo no qual esteve, por tanto tempo, dentro.
Que um resultado tardio, apertado e de poucos gols sempre estivesse no horizonte é algo que a nossa própria projeção tinha sinalizado. Antes da bola rolar, a leitura era de "mais intensidade do que fluência", de detalhes mínimos e um jogo de poucos gols, e o palpite — empate anula a aposta na Costa do Marfim — foi colocado a uma confiança deliberadamente cautelosa de 56. Esse número diz tudo sobre como esse jogo era visto de antemão: não uma barbada, não uma equipe que se esperava varrer o Equador do mapa, mas uma leve inclinação à vantagem da Costa do Marfim em um confronto provavelmente decidido pelo mais tênue dos fios. Um 1 a 0 resolvido aos 90 minutos é praticamente a confirmação mais fiel dessa leitura que se poderia roteirizar. As margens foram mínimas; o placar foi baixo; a intensidade, a julgar por uma reta de noventa minutos sem gols quebrada apenas no fim, claramente superou a fluência. O palpite acertou, e acertou exatamente da maneira prevista.
O próprio Diallo é um decisor intrigante. Aos 23 anos, com 19 jogos pela seleção e seis gols internacionais em seu currículo antes deste torneio, ele está naquele estágio de uma carreira internacional em que o jogador já é estabelecido o suficiente para merecer confiança, mas ainda jovem o bastante para cada contribuição parecer um tijolo na construção. Este foi o primeiro gol dele nesta Copa do Mundo, e as circunstâncias — um gol da vitória aos 90 minutos que decide um jogo de estreia — são daquelas que apresentam um jogador a um público mais amplo. Para os torcedores marfinenses, e na verdade para o espectador indiano neutro que conhece esta seleção pela primeira vez neste verão, é uma introdução útil: um atacante disposto a insistir quando o jogo parecia se esvair, e afiado o suficiente para aproveitar a única chance que importava. Seis gols em 19 jogos é um retorno respeitável para um atacante de beirada, e a forma deste — tardio, decisivo, sob a pressão de um impasse — diz muito a favor do seu temperamento.
A sombra da Alemanha sobre o Grupo E
A classificação é onde este resultado ganha sua verdadeira dimensão, e onde o alívio da Costa do Marfim deve ser temperado por uma olhada de relance, e preocupante, para cima. A equipe está em segundo no Grupo E com três pontos, empatada em pontos com a Alemanha na liderança, mas separada por um abismo de saldo de gols. A Alemanha abriu sua campanha colocando sete na Curaçao, sofrendo apenas um, e esse 7 a 1 lhe rendeu um saldo de mais seis contra o mais um da Costa do Marfim. Em um grupo com este formato, essa diferença pesa enormemente. A Costa do Marfim fez o mais importante — venceu, e três pontos no jogo de estreia é exatamente o que uma equipe com pretensões ao mata-mata precisa —, mas fez isso enquanto a Alemanha, na prática, depositou no banco uma vantagem de critério de desempate que pode se mostrar decisiva caso os dois primeiros terminem empatados. Abaixo deles, Equador e Curaçao estão ambos zerados, o Equador com menos um e a Curaçao, depois daquela goleada, com um humilhante menos seis.
O que torna a vitória da Costa do Marfim tão valiosa é justamente o jogo que agora se aproxima. O próximo compromisso é uma viagem para enfrentar a Alemanha em 21 de junho, com início à 1h30 (horário da Índia) para quem acompanha por lá, e é difícil imaginar uma sequência mais assustadora para uma estreia tão suada. A Alemanha chega em forma ameaçadora e goleadora; a Costa do Marfim chega depois de ter precisado até os 90 minutos para furar um Equador que a Alemanha, pelas evidências atuais, esperaria despachar com mais conforto. Ter três pontos já garantidos muda completamente a fisionomia daquela partida. A Costa do Marfim pode encarar a Alemanha sem o desespero de uma equipe que deixou pontos pelo caminho, livre para ser pragmática, para defender seu saldo de gols e tratar qualquer coisa que tirar do jogo como bônus. Tivessem empatado ou perdido para o Equador, aquela viagem à Alemanha carregaria o peso de um quase não-pode-perder; em vez disso, vira um teste que podem enfrentar nos próprios termos.
Para o Equador, o quadro é bem mais angustiante. Um zero na estreia o deixa em terceiro com zero pontos e saldo de gols negativo, e o calendário oferece uma chance clara de reação: a equipe enfrenta a lanterna Curaçao em 21 de junho às 5h30 (horário da Índia). Depois de a Curaçao ter levado sete da Alemanha, esse jogo agora parece os noventa minutos mais importantes da campanha do Equador na fase de grupos, uma vitória quase essencial para manter viva qualquer esperança de avançar. Em seguida, o Equador fecha o grupo contra a Alemanha em 26 de junho à 1h30 (horário da Índia), e a essa altura as exigências talvez já sejam drásticas. A crueldade de perder um jogo tão tarde é que sobra tão pouco para construir — nenhum ponto, nenhum gol, nada além da consciência de que estavam a noventa minutos de um empate útil e não conseguiram segurá-lo. A reação contra a Curaçao nos dirá se isto foi uma derrota apertada e azarada ou o início de uma luta mais longa.
A conclusão mais ampla de uma noite tensa no Grupo E é que as margens neste nível são exatamente tão mínimas quanto se anunciava, e que um único lance de um jogador da qualidade de Diallo é, muitas vezes, tudo o que separa um ponto merecido de uma derrota custosa. A Costa do Marfim não deslumbrou, e não vai precisar que a lembrem de que o saldo de gols da Alemanha paira sobre tudo o que fizer daqui em diante. Mas venceram, tarde e com os nervos intactos, e em um grupo de Copa do Mundo que já produziu uma demolição, simplesmente conseguir o resultado era a missão. Agora vem a missão muito mais difícil na Alemanha — e a encararão, ao menos, com três pontos e a cabeça tranquila, em vez de uma montanha para escalar.
