Egito reage, afunda a Nova Zelândia por 3 a 1 e assume o controle do Grupo G
Por 43 minutos, a Nova Zelândia ousou sonhar com uma daquelas noites que definem uma Copa do Mundo para um país que não tem muitas delas. Então o Egito lembrou quem era, encontrou a pontaria depois do intervalo e marcou três gols no espaço de 24 minutos para transformar um fim de tarde incômodo em uma vitória por 3 a 1 que leva os Faraós ao topo do Grupo G. Foi um resultado que não acalmou os nervos de ninguém e não recompensou a paciência de ninguém além do próprio Egito, e quando Trézéguet empurrou o terceiro para a rede a oito minutos do fim, a única pergunta que restava era sobre o placar final.
A história do primeiro tempo, e quase a história da partida inteira, foi escrita por um zagueiro de 22 anos chamado Finn Surman. Aos 15 minutos, o defensor central do Portland Timbers subiu no momento certo e colocou a Nova Zelândia à frente, o tipo de gol que um jogador da defesa guarda para o resto da carreira. Foi apenas o seu segundo gol em 19 jogos pelos All Whites, um número que mostra exatamente como é raro um homem em sua posição ser chamado a colocar a bola na rede. Para um jogador tão no início da vida internacional, foi também uma segunda contribuição em Copa do Mundo para guardar — este gol veio depois daquele que ele já havia registrado neste torneio, e por meia hora pareceu que poderia bastar para arrancar um ponto, ou mais, dos líderes do grupo.
A Nova Zelândia havia chegado a este confronto com um único ponto e a lembrança de um aguerrido empate por 2 a 2 fora de casa contra o Irã, resultado que sugeria uma equipe capaz de se impor diante de qualquer adversário disposto a deixar espaços. O cabeceio de Surman deu substância a essa sugestão. Mas uma vantagem só vale o quanto as pernas que a protegem aguentam, e quanto mais a partida avançava, mais a qualidade superior do Egito começava a pressionar a resistência dos All Whites. O intervalo chegou com a Nova Zelândia ainda na frente, o placar em 1 a 0, e a sensação de que o jogo estava sendo sustentado tanto por força de vontade quanto por organização.
O Egito encontra seu nível depois do intervalo
Seja qual for o ajuste feito no vestiário visitante durante a pausa, funcionou. O Egito voltou com a urgência de um time que havia se lembrado por que estava na liderança do grupo, e aos 58 minutos o empate veio da fonte mais improvável. Ziko, o meio-campista de 29 anos do Pyramids, deixou tudo igual — e, ao fazê-lo, dobrou todo o seu histórico internacional em um único instante. Com apenas dois jogos pela seleção, era um jogador ainda encontrando seu lugar neste nível, e marcar essa carreira incipiente com um gol de Copa do Mundo é o tipo de detalhe que acompanha um futebolista pelo resto dos seus dias. Dois jogos, dois gols na carreira internacional, e um deles agora marcado no maior palco que o esporte oferece. O controle da Nova Zelândia, tão cuidadosamente mantido por quase uma hora, havia se soltado.
Uma vez rompida a represa, a água veio rápido. Nove minutos depois do empate, aos 67 minutos, o homem inevitável deu um passo à frente. Mohamed Salah, agora com 34 anos e carregando o peso da expectativa de uma nação como faz há boa parte de uma década, colocou o Egito na frente pela primeira vez na partida. Foi o seu 67º gol em 116 jogos pelo país — um índice de aproveitamento que parece erro de impressão para um ponta — e ainda assim, surpreendentemente, o seu primeiro em uma Copa do Mundo. Apesar de tudo o que Salah conquistou com o Liverpool e pelo Egito, a Copa do Mundo continuava sendo um palco que lhe negava recompensas; essa nota de rodapé foi apagada aos 67 minutos contra a Nova Zelândia. Havia também uma simetria nos números: seu 67º gol internacional chegando aos 67 minutos. De todos os jogadores nesta partida, nenhum carregava uma história como a dele, e nenhum precisava menos do gol para se validar e, ainda assim, o queria mais.
Com o gol de Salah, o ímpeto que vinha se inclinando a favor do Egito virou uma enxurrada. A Nova Zelândia, depois de passar o primeiro tempo defendendo uma vantagem e o início do segundo correndo atrás de um jogo que escorregava, agora se via atrás no placar e cada vez mais esticada. A serenidade que a havia levado ao intervalo havia sumido, substituída pela urgência desordenada de uma equipe que sabia que a noite virava contra ela.
Trézéguet sela o jogo enquanto os All Whites somem
O terceiro gol, quando veio aos 82 minutos, tinha a cara de formalidade. Trézéguet, o atacante de 31 anos do Al Ahly com 96 jogos e 23 gols pela seleção na bagagem, acrescentou o brilho que o segundo tempo vinha construindo. Para um jogador de sua experiência — quase um século de partidas pela seleção — foi, assim como os gols de seus companheiros antes dele, o seu primeiro em uma Copa do Mundo, lembrete de que mesmo internacionais experientes podem esperar muito tempo por um momento neste palco específico. O Egito teve três marcadores diferentes, cada um abrindo sua conta em Copas do Mundo na mesma noite, e cada história carregava seu próprio peso: o novato em Ziko, o talismã em Salah, o veterano em Trézéguet.
Para a Nova Zelândia, os 24 minutos finais foram uma dura lição sobre a diferença entre segurar uma vantagem e vencer uma partida. O cabeceio cedo de Surman ficará como um destaque genuíno — um gol de zagueiro em uma Copa do Mundo não é coisa pequena, e aos 22 anos ele tem muitos anos pela frente — mas foi a única coisa que os All Whites tiveram a mostrar de uma noite que, em seu ponto médio, prometia muito mais. O empate por 2 a 2 com o Irã lhes havia rendido um ponto de apoio no grupo; esta derrota o afrouxou consideravelmente.
O que significa para o Grupo G
A aritmética é implacável. A vitória do Egito o leva a quatro pontos em duas partidas — uma vitória, um empate, nenhuma derrota — e o coloca isolado na liderança do Grupo G com saldo de gols de mais dois. Sua campanha até aqui se lê como um estudo de confiança crescente: um empate por 1 a 1 fora de casa contra a Bélgica na estreia e agora uma confortável vitória por 3 a 1 fora de casa diante da Nova Zelândia. Eles fecham a fase de grupos contra o Irã no dia 27 de junho, com início às 8h30 (IST), sabendo que o destino está muito nas próprias mãos.
Atrás deles, o grupo está apertado. Irã e Bélgica somam dois pontos cada, ambos invictos com dois empates, separados apenas pelos detalhes mais finos e à espera de ver como se desenrola a rodada final. A Nova Zelândia, por sua vez, está cravada na lanterna com um único ponto, seu saldo de gols agora em menos dois depois de ter sofrido cinco gols em dois jogos enquanto marcou três. Os All Whites enfrentam a Bélgica no dia 27 de junho, também às 8h30 (IST), no que se tornou um compromisso de não-pode-perder se quiserem manter acesa qualquer esperança de classificação. Tendo cedido três ao Egito e dois ao Irã, as dúvidas defensivas são evidentes, mesmo que o gol de Surman do outro lado tenha oferecido um lampejo de incentivo ofensivo.
Para o Egito, o caminho está mais claro e o humor mais leve. Eles atravessaram a parte mais espinhosa do calendário — uma viagem à Bélgica e um encontro com uma Nova Zelândia que, pela evidência do primeiro tempo aqui, tem capacidade de complicar a vida — e emergiram no topo da tabela com seu destino intacto. Um empate contra o Irã provavelmente bastaria; uma vitória resolveria a questão por completo. Os Faraós chegarão a esse confronto final com o tipo de embalo que vem de um segundo tempo jogado exatamente do jeito que eles vão ter querido.
Nossa aposta antes do jogo
Entramos nesta apostando no Egito, indicando vitória dos Faraós com um nível de confiança de 63%. O raciocínio se apoiava na ameaça da equipe em um jogo que esperávamos travado, com a sensação de que a qualidade acabaria pesando nas margens estreitas. A partida não se desenrolou exatamente como o roteiro — não prevíamos a Nova Zelândia liderando no intervalo, e o confronto foi tudo menos travado depois que o segundo tempo se abriu — mas o destino coincidiu com a previsão. O Egito venceu, e nossa aposta entra como acerto. Vale, porém, ser honesto sobre o caminho: por quase uma hora, isto parecia uma aposta em apuros, e foi apenas a arrancada do Egito no segundo tempo, com Ziko, Salah e Trézéguet, que validou a escolha. No balanço, vitória é vitória, mas os primeiros 45 minutos foram um lembrete útil de que confiança e tranquilidade não são a mesma coisa.
No fim, a Nova Zelândia vai refletir sobre uma noite que escorregou por entre os dedos e sobre um jovem zagueiro que lhe deu algo em torno do que construir mesmo na derrota. O Egito vai simplesmente olhar para a tabela, ver seu nome no topo do Grupo G e voltar a atenção para o Irã com a satisfação de um trabalho dois terços concluído.
