Paciência Recompensada: Coreia do Sul Desgasta a Tchéquia no Fim e Estreia no Grupo A com Vitória
Por uma hora, isto parecia exatamente o tipo de noite que engole favoritos inteiros numa Copa do Mundo. A Coreia do Sul tinha a bola, o campo e a expectativa; a Tchéquia tinha um plano para negar as três coisas, e por um bom tempo o plano estava funcionando. Então, no espaço de treze minutos, a resistência ruiu. Hwang In-beom balançou as redes aos 67 minutos, Oh Hyeon-gyu o seguiu aos 80, e um confronto que ameaçava se esvair num empate frustrante entregou à Coreia do Sul três pontos e um início voador na campanha do Grupo A. O placar final de 2–1 lê-se mais arrumado do que o jogo quase certamente pareceu, mas a contagem conta sua própria história: esta foi uma vitória conquistada pela persistência, e não entregue cedo, e esse costuma ser o tipo mais tranquilizador.
O momento dos gols é o coração deste relato de jogo, porque o momento é o jogo. Nenhum dos gols sul-coreanos veio nos primeiros embates, quando a energia está mais alta e a estrutura mais fresca; ambos vieram depois da hora de jogo, o período em que uma equipe entregue a defender bem atrás começa a sentir o peso acumulado de correr atrás de sombras. Nossa leitura pré-jogo havia sinalizado precisamente essa dinâmica, dando o palpite de que a Coreia do Sul venceria com comedidos 62 por cento e alertando que a Tchéquia se fecharia atrás, deixando a tarefa como uma questão de paciência e amplitude para abrir um bloco baixo. Aquela projeção se confirmou, e se confirmou da maneira antecipada, não por acaso. Uma equipe que marca aos 67 e aos 80 minutos contra adversários que se postaram em peso é uma equipe que manteve a serenidade quando o fácil teria sido forçar a jogada e presentear a Tchéquia com os contra-ataques que ela esperava.
O envolvimento de Hwang In-beom no gol que abriu o placar carrega um significado particular que vale a pena destacar. Aos 29 anos e com 73 jogos pela seleção, o meio-campista do Feyenoord está entre as cabeças mais experientes deste grupo da Coreia do Sul, um jogador cuja carreira internacional foi longa o suficiente para tornar este um retorno notavelmente raro e precioso: o gol foi apenas o sexto de toda a sua trajetória pela seleção nacional. Hwang não é um nome lembrado por seus gols; seis gols em 73 partidas o marcam como um organizador e um regulador de ritmo, e não um finalizador. Que um jogador desse perfil seja justamente quem quebra o equilíbrio diz algo sobre como o gol provavelmente surgiu — não de um oportunista apostando na área, mas de um meio-campista chegando a um espaço que só se abre depois que um adversário passou uma hora recuando. Foi, pela evidência de quem o marcou e quando, um gol que a estrutura do jogo produziu, e não um momento de improviso individual, e isso é exatamente o que se quer ver de uma equipe a quem se pede paciência.
Se o gol de Hwang foi a recompensa pelo controle, o de Oh Hyeon-gyu foi a pontuação final que colocou o resultado fora de dúvida. O jogador de 25 anos, agora no Beşiktaş, tem 27 jogos e seis gols internacionais no currículo, um atacante mais jovem ainda construindo sua obra neste nível, e seu gol aos 80 minutos fez a coisa mais valiosa que um segundo gol pode fazer: removeu a possibilidade de um final nervoso. A partir do momento em que Oh fez 2–0, a Coreia do Sul estava administrando uma vantagem, e não protegendo o fio da navalha. A Tchéquia acabou entrando no placar para fazer 2–1 — a tabela do grupo confirma que ela terminou a noite com um gol marcado e a Coreia do Sul sofrendo um — mas a essa altura o confronto já estava resolvido em essência, e um gol de honra tardio não muda a forma fundamental do que aconteceu aqui. Dois gols a favor, um contra, três pontos no bolso, e uma mensagem clara enviada sobre a capacidade desta equipe de arrancar um resultado quando o futebol não flui.
Para a Tchéquia, a noite é uma história familiar para qualquer equipe que constrói suas esperanças sobre a frustração e a disciplina: a abordagem pode funcionar até o exato momento em que não funciona, e quando falha tende a falhar em série. Sofrer dois gols num intervalo de 13 minutos depois de segurar firme por uma hora é a versão mais cruel de um bloco baixo desmoronando, porque grande parte do trabalho que veio antes desmorona junto. Não há vergonha na estratégia e nenhuma razão para abandoná-la por completo — por longos trechos ela manteve uma das equipes mais talentosas deste grupo à distância —, mas a Tchéquia agora soma zero ponto com saldo de gols negativo, em terceiro na chave, e a margem para novos erros se estreitou bruscamente. O gol que ela conseguiu é algo a que se agarrar; marcar contra a Coreia do Sul, mesmo na derrota, é um lembrete de que esta não é uma equipe sem perigo próprio, e ela precisará se apoiar nisso nas partidas que virão.
O que isso significa para o Grupo A
O panorama mais amplo no Grupo A está finamente equilibrado de um jeito que deve manter torcedores sul-coreanos e tchecos grudados na tabela ao longo da próxima semana. A vitória da Coreia do Sul a eleva a três pontos, empatada com o México, que também estreou com vitória e fica em primeiro apenas por força de um saldo de gols superior — o mais dois do México contra o mais um da Coreia do Sul, a mais tênue das separações após uma única rodada de jogos. A Tchéquia está em terceiro com zero, empatada em pontos com a lanterna África do Sul, mas à frente dela no saldo de gols, tendo marcado uma vez onde a África do Sul não saiu do zero. Num grupo de quatro equipes em que duas avançam e uma terceira ainda pode se classificar como um dos melhores segundos colocados do torneio, nada está decidido, mas a hierarquia inicial está tomando forma: os dois vencedores da estreia parecem à altura, e os dois perdedores da estreia já estão em modo de recuperação.
Essa diferença de saldo de gols para o México é o detalhe do qual a Coreia do Sul estará silenciosamente ciente, porque num grupo tão apertado isso poderia ser o que, no fim das contas, decide quem termina em primeiro e quem termina em segundo — e o cabeça de chave que disso decorre para as fases eliminatórias. Vencer por 2–1 em vez de por uma margem maior não é motivo de queixa quando os três pontos são o que mais importa neste estágio, mas significa que a Coreia do Sul não se deu nenhuma folga nesse critério de desempate específico. O outro lado é que ela não tem jogo a menos em relação a ninguém e um caminho totalmente aberto: vencer os jogos restantes e a aritmética se resolve sozinha. Por ora, estar em segundo com pontuação máxima na partida de estreia é um lugar absolutamente saudável de se estar, e muito distante da ansiedade que teria acompanhado um empate contra uma equipe que se esperava vencer.
O calendário daqui em diante aguça consideravelmente o que está em jogo, e o faz primeiro para a Coreia do Sul. O próximo compromisso é o peso-pesado do grupo: um encontro com o México, jogado fora de casa, com início para o horário indiano na madrugada de 19 de junho às 6:30 AM IST. É, na prática, uma disputa pela liderança entre as duas equipes que já mostraram que conseguem vencer neste nível, e depois da paciência exigida para superar a Tchéquia, a Coreia do Sul enfrentará um teste muito diferente contra adversários improváveis de simplesmente se sentar e absorver. Uma repetição da fórmula dos gols tardios pode não estar disponível; este pode exigir que ela tome a iniciativa mais cedo e lide com fases sem a bola que a Tchéquia nunca esteve equipada para impor. Vencer o México e a Coreia do Sul teria um pé nas eliminatórias com uma rodada de sobra; perder, e o grupo se aperta de novo, com seu jogo final, fora de casa contra a África do Sul em 25 de junho, também às 6:30 AM IST, subitamente carregando peso de verdade.
A estrada da Tchéquia é ainda mais imediata, e indiscutivelmente mais importante para toda a sua campanha. Ela volta a campo antes de qualquer outra equipe deste grupo, enfrentando a África do Sul em 18 de junho às 9:30 PM IST — um choque entre as duas equipes que perderam na estreia, e uma partida que assumiu a cara inconfundível de uma decisão de seis pontos com mal uma semana de torneio. Com México e Coreia do Sul a seguir para ambas, o perdedor desse encontro estará encarando a porta de saída com pouca esperança realista de recuperação, enquanto o vencedor volta direto para a briga. Para a Tchéquia, a nota encorajadora é que ela não precisará se reinventar para tirar algo dali; a disciplina que conteve a Coreia do Sul por uma hora é uma base perfeitamente sólida contra uma seleção sul-africana que não marcou na estreia. Depois disso vem a assustadora perspectiva do México em 25 de junho às 6:30 AM IST, mas a Tchéquia não pode se dar ao luxo de olhar tão longe. Tudo agora depende de colocar seus primeiros pontos na tabela contra a África do Sul, e rápido.
O que fica desta noite de estreia é a sensação de que a Coreia do Sul passou por um tipo particular de teste — o sem glamour. Muitas equipes cotadas tropeçaram em Copas do Mundo não contra a elite, mas contra os obstinados, os bem treinados, as equipes contentes em deixar o jogo feio e desafiar você a achar um caminho. A Coreia do Sul achou um caminho, e o fez sem pânico, confiando que as chances e os espaços acabariam aparecendo se ela continuasse fazendo as perguntas. Hwang In-beom e Oh Hyeon-gyu foram os nomes nos gols, dois jogadores de pontos muito diferentes de suas jornadas internacionais, mas o resultado pertenceu à paciência que nossa projeção havia identificado como o traço decisivo. Não ficará nada mais fácil contra o México. Com base nesta evidência, porém, a Coreia do Sul viajará para esse encontro sabendo que tem o temperamento para as noites difíceis, o que num torneio como este vale tanto quanto qualquer resultado isolado.
